Política

Romeu Zema chama festas de Vorcaro de “farra dos intocáveis”; escândalo do banqueiro também deixou rastro de R$ 117 milhões em Maceió; veja vídeo

Às vésperas de ser oficializado candidato à Presidência pelo Novo, ex-governador cobra investigação sobre eventos milionários em Nova York; em Alagoas, aplicação do Iprev no Banco Master continua sem responsabilização individual concluída

Redação 27/07/2026
Romeu Zema chama festas de Vorcaro de “farra dos intocáveis”; escândalo do banqueiro também deixou rastro de R$ 117 milhões em Maceió; veja vídeo
Romeu Zema, candidato a presidente da República, pelo Partido Novo

O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, que será oficializado candidato à Presidência da República pelo Partido Novo, publicou um vídeo nas redes sociais com duras críticas às festas de luxo promovidas em Nova York pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

A convenção nacional do Novo foi realizada nesta segunda-feira, 27, em Brasília. O evento formalizou a candidatura de Zema ao Palácio do Planalto nas eleições de outubro

No vídeo das redes sociais, Zema repercutiu informações reveladas pela jornalista Malu Gaspar sobre uma série de eventos realizados em maio de 2024 para políticos e autoridades brasileiras que estiveram nos Estados Unidos.

"Olha só a festa das astronautas em Nova York. Imagina só a cena: suíte presidencial, aquela que ocupa um andar inteiro. Mulheres russas, ucranianas, vestidas de prateado e divertindo políticos e autoridades. Adivinha de onde? Do Brasil", afirmou.
O presidente também cita degustações de uísques e charutos e um jantar em restaurante de luxo conhecido por servir carne coberta por folhas de ouro.

"Uísque caro para todo lado, degustação de charutos, jantar com carne folheada a ouro. Eu nunca comi, deve ser bom. Parece roteiro de filme ruim, de milionário decadente, só que não é filme", ​​ironizou.

Planilha aponta despesas de R$ 11,9 milhões


Segundo a reportagem relatada por Zema, documentos encontrados no celular de Daniel Vorcaro e incluídos em uma representação da Polícia Federal apontam gastos de pelo menos R$ 11,9 milhões com eventos realizados em Nova York.

A programação incluía uma reunião de bebidas e charutos no Carnegie Club, jantares, hospedagens, apresentações e uma confraternização realizada em uma suíte presidencial que ficou conhecida como “noite das astronautas”.

De acordo com os relatos publicados, mulheres russas e ucranianas foram contratadas para se apresentarem usando roupas prateadas e acessórios semelhantes aos trajetos espaciais. As despesas com artistas, performances, logística e gerenciamento envolveram centenas de milhares de euros.

Na avaliação de Zema, os eventos revelaram uma relação de proximidade entre pessoas poderosas e um banqueiro que se tornou o centro de uma das maiores investigações financeiras do país.

"Uma farra de R$ 12 milhões para agradar políticos e autoridades brasileiras. Enquanto o brasileiro de bem está pagando imposto, pegando fila, contando moedinha no supermercado e com medo de sair de casa, essa turminha política vive no luxo e na ostentação", declarou.

Zema chamou Daniel Vorcaro de “banqueiro bandido”, expressão de responsabilidade do próprio candidato, e classificou os eventos como parte daquilo que vem denominando de “farra dos intocáveis”.

"Cada dia fica mais claro que o problema do Brasil não é falta de dinheiro. É sobra de ladrão", disparou.

Parlamentar de Alagoas foi citado em amostragem


O episódio também possui uma conexão direta com a política alagoana. Reportagens baseadas nos documentos da investigação citaram um deputado federal, de Alagoas, entre os participantes da amostragem de uísques e charutos promovidos por Vorcaro em Nova York.
Também foram mencionadas o senador Ciro Nogueira, o presidente da Câmara, Hugo Motta, e os deputados Marcos Pereira e Doutor Luizinho. O evento teria custado mais de US$ 1 milhão, aproximadamente R$ 5,2 milhões na cotação apontada pelas reportagens.

Caso Master assombrasse aposentados de Maceió


Enquanto autoridades e políticos eram recebidos em ambientes de luxo, o Banco Master captava recursos de institutos responsáveis ​​por administrar o dinheiro de aposentados e pensionistas.

Em Maceió, o Instituto de Previdência dos Servidores Públicos Municipais, o Iprev — posteriormente denominado Maceió Previdência — aplicou aproximadamente R$ 117,9 milhões em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master.

Não se trata de um empréstimo comum concedido pela Prefeitura, mas de uma aplicação de recursos previdenciários em títulos do banco. O investimento não contava com a cobertura ordinária do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC.

Reportagem da revista Veja revelou que a consultoria Crédito e Mercado recomendou ao instituto de Maceió o investimento de R$ 117,9 milhões no Master. A empresa também passou a ser citada em apurações da Polícia Federal.

A liquidação do Banco Master colocou em risco a recuperação do dinheiro e provocou preocupação entre servidores, aposentados e pensionistas de Maceió. Em nota divulgada após a liquidação, o instituto garantiu que o pagamento dos benefícios estava garantido, mas não explicou de forma conclusiva como os R$ 117 milhões seriam recuperados.

Quem autorizou a operação?


A pergunta que continua sem resposta definitiva em Maceió é quem tomou a decisão, quem autorizou a aplicação e quem deverá ser responsabilizado caso o dinheiro dos servidores não seja recuperado integralmente.

A Polícia Federal solicitou ao Supremo Tribunal Federal autorização para abrir uma investigação específica sobre o transporte do Iprev de Maceió no Banco Master. A apuração busca específica sobre as estatísticas da operação e a possível responsabilidade dos agentes envolvidos.

Até agora, não foi oficialmente concluída a responsabilidade individual pela aplicação. Isso significa que ainda não existe uma resposta definitiva sobre quem deverá responder administrativa, civil ou criminalmente pela decisão de colocar os recursos da previdência municipal nos cargos do Mestre.

A falta de esclarecimento contrasta com a dimensão da operação: são quase R$ 118 milhões pertencentes aos servidores públicos, aposentados e pensionistas da capital alagoana.

“Tem que abrir tudo”


No encerramento do vídeo, Zema defende que a investigação alcance todos os políticos e autoridades que receberam benefícios ou participaram de eventos patrocinados por Vorcaro.

"Eu não estou aqui para passar pano para ninguém. Tem que investigar até o fim, custe a quem custar. Tem que abrir tudo: quem recebeu o favor, quem participou e quem se beneficiou", afirmou.

A fala antecipada um dos discursos que Zema pretende levar para a campanha presidencial: o combate aos privilégios e às relações entre empresários investigados, autoridades do Estado e dirigentes partidários.

Em Maceió, porém, o caso ultrapassa o campo do discurso eleitoral. Enquanto avançavam as revelações sobre festas, uísques raros, charutos e carne folheada a ouro, milhares de servidores esperam saber quem decidiu colocar R$ 117,9 milhões da previdência municipal no Banco Master — e, principalmente, quando esse dinheiro voltará aos cofres do instituto.

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