Política

CGU suspende oito servidores por certificados falsos de vacinação contra a Covid-19

Fraudes foram registradas em diversas instituições federais

Estadao Conteudo 24/07/2026
CGU suspende oito servidores por certificados falsos de vacinação contra a Covid-19
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Controladoria Geral da União (CGU) suspendeu oito servidores federais por um período que varia de 32 a 47 dias, após comprovar fraudes em certificados de vacinação contra a Covid-19.

As punições afetaram servidores de universidades federais e hospitais públicos. Ao menos três deles pagaram entre R$ 400 e R$ 800 por documentos falsos.

As decisões foram publicadas em oito portarias na edição de quinta-feira (23) do Diário Oficial da União (DOU).

Segundo os processos, o modus operandi variou, mas seguiu um padrão comum: os servidores obtiveram registros falsos de vacinação contra a Covid-19 e, a partir deles, emitiram certificados fraudulentos.

Parte dos servidores usou os certificados para realizar viagens internacionais, enquanto outros os apresentaram à própria instituição onde trabalhavam.

Entre os profissionais envolvidos, alguns atuavam na saúde e usaram a farsa para atender e tratar pacientes.

Uma auxiliar de enfermagem de um hospital no Rio de Janeiro obteve registros falsos e os apresentou à instituição onde trabalhava, recebendo a suspensão máxima do grupo, de 47 dias.

Conduta semelhante foi adotada por um médico de outro hospital também no Rio, que falsificou registros e emitiu certidão após inserir doses falsas no sistema. Ele foi suspenso por 37 dias.

No âmbito de um ministério do governo federal, uma técnica em atividades médico-hospitalares adquiriu registros de três doses de vacina falsas, sendo suspensa por 37 dias.

Casos semelhantes ocorreram no Nordeste. Um professor de universidade federal pagou R$ 600 para comprar a vacinação falsa, apresentando o documento à própria instituição. Sua ação resultou em suspensão de 47 dias.

Outro professor, desta vez no Paraná, confessou ter pago R$ 400 para obter um documento falso em um grupo no Telegram, resultando em uma suspensão de 42 dias.

Em Minas Gerais, um profissional de tecnologia da informação lotado em uma universidade pagou o maior valor identificado: R$ 800 por quatro registros falsos. Embora o valor tenha sido elevado, sua punição foi de apenas 32 dias - a menor do grupo.

Dois outros casos tiveram viagens ao exterior como motivação. Em um deles, uma servidora de um órgão da área tributária obteve registros falsos e utilizou o certificado para viajar à Itália. No outro, um servidor de estatística de uma universidade do Rio usou um certificado fraudado para entrar no Canadá.

Ambos foram suspensos por 42 dias, e não há registro de pagamento pelos certificados em nenhum dos casos.

Após cumprirem a suspensão, os funcionários retornarão às suas atividades.

O esquema de fraude em certificados de vacinação ganhou notoriedade em 2023, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Venire, prendendo seis pessoas suspeitas de inserir dados falsos de vacinação contra a Covid-19 no sistema do Ministério da Saúde e entre os presos estava o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, que posteriormente fez um acordo de delação premiada.

Segundo as investigações, o esquema começou em novembro de 2021, quando Cid pediu ajuda a um sargento de sua equipe para fraudar o certificado de vacinação da esposa. O grupo teria usado um registro verdadeiro como base para inserir dados falsos no sistema Conecte SUS.

Cid relatou que o esquema se repetiu com Bolsonaro em seguida. Ao saber que Cid havia conseguido cartões falsos para sua família, o então presidente mandou usar o mesmo procedimento para fraudar seu próprio certificado e o da filha, documento que foi impresso no Palácio da Alvorada e entregue a Bolsonaro pessoalmente.