Política

CRE vai avaliar medidas contra tarifaço dos EUA, afirma Trad

Com o início da aplicação da tarifa estadunidense de 25% sobre produtos brasileiros, Trad reforça a necessidade de vigilância.

Agência Senado 23/07/2026
CRE vai avaliar medidas contra tarifaço dos EUA, afirma Trad
Nelsinho Trad destaca a necessidade de ações diante das tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros.

Com o início da aplicação da tarifa estadunidense de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país, na quarta-feira (22), o presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE), Nelsinho Trad (PSD-MS), reforçou a necessidade de acompanhamento técnico e a defesa dos interesses nacionais. Para ele, o momento exige atuação coordenada das instituições brasileiras e avaliação permanente das medidas em estudo pelo Executivo.

— Mais do que reagir ao fato, precisamos compreender seus impactos e acompanhar, com responsabilidade, as alternativas que estão sendo construídas para proteger os interesses do Brasil. A Comissão de Relações Exteriores tem o dever de contribuir para esse processo — afirmou à Agência Senado .

As tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras ocorreram a valer na quarta-feira, inaugurando uma nova etapa nas relações comerciais entre os dois países. A sobretaxa abrange cerca de três mil itens e será cobrada dos importadores americanos no momento em que os produtos brasileiros entrarem nos EUA.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) prevê que a nova tarifa atingirá 18% das exportações brasileiras para os EUA. Comparados aos dados de 2024, ano anterior às primeiras tarifas anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, o percentual corresponde a R$ 37,6 bilhões. Já com base nos números de 2025, a participação dos setores afetados cai para 15%, o equivalente a R$ 29,4 bilhões.

Na avaliação de Nelsinho Trad, a medida amplia o desafio para setores da economia nacional. Ele sugere que o governo mantenha o diálogo diplomático e faça novos estudos para contornar a situação.

Ainda na última semana, o presidente da CRE solicitou informações ao MDIC sobre como o governo pretende operacionalizar a Lei da Reciprocidade Econômica ( Lei 15.122, de 2025 ), quais estudos estão sendo prolongados pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) e se há necessidade de aprimoramentos legislativos. O objetivo, em segundo lugar, é oferecer ao CRE informações técnicas que subsidiem eventuais iniciativas legislativas.

Além disso, no dia 4 de agosto, o Grupo de Trabalho criado por iniciativa da presidência da CRE discutirá questões de acesso aos mercados das exportações brasileiras com diversos representantes do governo e do setor privado, com foco nas proteínas de origem animal.

Para o comércio, o novo cenário do comércio internacional reforça a importância de acelerar projetos estruturantes voltados para a ampliação da competitividade brasileira.

Nesse contexto, Trad disse que a consolidação da Rota Bioceânica, a conclusão da ponte internacional entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta e a entrada em vigor da Convenção Aduaneira sobre o Transporte Internacional de Mercadorias ao Abrigo das Cadernetas TIR , no próximo dia 30, representam avanços capazes de reduzir custos logísticos, agilizar o transporte internacional de cargas e ampliar o acesso dos produtos brasileiros aos mercados do Pacífico e da Ásia.

— Quanto mais alternativas o Brasil tiver para alcançar novos mercados, mais preparado estará para enfrentar períodos de tensão no comércio global — acrescentou.

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No dia da entrada em vigor da tarifaço dos Estados Unidos, o governo federal assinou uma medida provisória ( MP 1.379/2026 ) com um novo pacote de apoio às empresas brasileiras. Batizada de Plano Brasil Soberano 3 , a iniciativa prevê R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para exportadores e setores considerados estratégicos para a economia nacional.

Também na quarta-feira, a Presidência da República sancionou o Projeto de Lei de Conversão (PLV 7/2026), originado da MP 1.345/2026 , que institui as linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano. Em relação a esse texto, o Congresso decidiu ampliar o escopo do texto para contemplar, além dos exportadores de bens industriais e seus fornecedores, setores considerados estratégicos para o comércio exterior brasileiro.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)