Política
O que Flávio não explicou sobre os R$ 500 mil que recebeu de empresa ligada ao caso Master
O senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), divulgou um vídeo, na quarta-feira, 22, para explicar sua relação com empresas relacionadas ao conglomerado do Banco Master, de Daniel Vorcaro, mas deixou lacunas sobre o pagamento de R$ 500 mil que recebeu e sobre as notas fiscais que foram emitidas e posteriormente canceladas.
No vídeo divulgado na quarta-feira, 22, Flávio Bolsonaro afirmou que prestou “serviços advocatícios” à empresa Contábil Correa, que pertence a Rogério Lourenço Novo, em uma contratação legal, lícita e privada. Também declarou que se decidiu a prestar serviço para a Copenhagen e Assessoria e Consultoria SA, empresa do conglomerado do Master e que desde setembro de 2025 tem Rogério Novo como diretor. As duas empresas estão registradas com o mesmo endereço no prédio no centro de São Caetano do Sul.
A Copenhagen pertence ao Fundo Estônia, da Trustee DTVM, uma das gestoras apontadas como custodiantes de ativos de Daniel Vorcaro. Até julho do ano passado, a empresa tinha como diretores Artur Martins de Figueiredo, que também administrava um Administrador.
Veja abaixo o que o senador não esclareceu sobre o caso:
1) Qual foi o serviço prestado para a Contabilidade Correa?
A nota fiscal emitida pelo escritório de Flávio Bolsonaro para a empresa indica genericamente o serviço de "assessoria jurídica" , no valor de R$ 500 mil . No vídeo, o senador não detalhou qual teria sido a natureza dessa avaliação nem se ocorreu de fato a celebração de um contrato, escrito ou verbal. A reportagem não localizou processos ou procurações da empresa para Flávio.
2) Quem apresentou Rogério Lourenço Novo a Flávio Bolsonaro?
A Contábil Correa é uma empresa de 2005 e tem endereço registrado em São Caetano do Sul (SP), na região metropolitana de São Paulo. O senador não detalhou como Rogério Novo surgiu para ele com a proposta, nem se alguma outra pessoa intermediou o negócio.
3) Por que fez duas notas fiscais de R$ 500 mil para Copenhague, que foram canceladas?
O escritório de advocacia do senador Flávio Bolsonaro emitiu duas notas fiscais, de R$ 500 mil , cada, para a consultoria Copenhagen em 7 de abril de 2025. Uma delas foi cancelada no mesmo dia. A outra, dois dias depois. No vídeo, o senador falou somente que não aceitou trabalhar para Copenhague, mas não esclareceu o porquê de ter chegado a emitir as notas.
4) Quais seriam os serviços solicitados por Copenhagen, e por qual representante da empresa?
No vídeo divulgado nas redes sociais, o senador reclamou de ser cobrado a explicar um serviço que ele não prestou. “Eu não aceitei trabalhar para essa empresa chamada Copenhagen, que foi executada por Vorcaro para fazer pagamentos para algumas pessoas. Não foi o meu caso” , declarou.
Flávio Bolsonaro, porém, não explicou quais foram os serviços negociados e que chegou a exigir a emissão de notas fiscais. Também não falou qual diretor ou proprietário de Copenhagen fez tratativas com ele.
Em uma nota enviada ao portal Metrópoles , Flávio Bolsonaro disse ter sido consultado sobre a possibilidade de prestar serviço a um cliente da Contábil Correa, de Copenhague. "Apesar da consulta, a contratação não avançou, não tendo meu escritório recebido qualquer valor da Copenhague, razão pela qual as notas fiscais foram canceladas" , disse.
Mais lidas
-
1DEFESA
Caça J-35 chinês com revestimento prateado mina posição aeronaval dos EUA, diz mídia
-
2DEFESA
Chefe da Marinha britânica reconhece o poderio da frota submarina da Rússia
-
3POLÍTICA
Augusto Cury entra no estúdio da Band e deve participar de debate
-
4MOBILIDADE
Prefeitura inicia obras de R$ 46,9 milhões para ampliar ponte e criar terceira faixa na Ayrton Senna, na Barra da Tijuca
-
5ECONOMIA
6 estratégias para humanizar a gestão e acelerar os resultados de vendas