Política
Revista Liberta revela encontro de João Caldas com Carlinhos Cachoeira no “marco zero” da legalização das bets
Segundo a publicação, João Caldas acompanhou Waldir Maranhão à casa do bicheiro goiano, onde também estava Rogério Andrade, para discutir a liberação dos jogos de azar no Brasil.
Uma reportagem publicada pela Revista Liberta aponta uma reunião realizada em maio de 2016, em Goiânia, como o “marco zero” da articulação política que anos depois resultaria na legalização das apostas esportivas, atualmente conhecidas como bets, no Brasil.
Segundo a publicação, o encontro teria reunido o então presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão, o ex-deputado federal alagoano João Caldas e os contraventores Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, e Rogério Andrade.
João Caldas é o atual presidente nacional do Democracia Cristã, pai de JHC e irmão da ministra do Superior Tribunal de Justiça, Marluce Caldas.
De acordo com o relato da Revista Liberta, Maranhão deixou Brasília em um carro oficial no dia 13 de maio de 2016, acompanhado por João Caldas, com destino à residência de Carlinhos Cachoeira, na capital goiana.
Naquele momento, Cachoeira cumpria prisão domiciliar, utilizava tornozeleira eletrônica e estava proibido de deixar o condomínio onde residia. A reportagem afirma que o contraventor não teria sido previamente informado sobre a visita.
Rogério Andrade aguardava reunião
Rogério Andrade, apontado como um dos principais nomes do jogo do bicho no Rio de Janeiro, já estaria na residência de Cachoeira quando Maranhão e João Caldas chegaram.
Ainda conforme a Revista Liberta, Andrade cumpria pena no regime semiaberto e teria obtido autorização para viajar a Goiás, com a obrigação de retornar ao Rio de Janeiro até as 19h daquele mesmo dia.
A presença simultânea dos dois contraventores e dos dois políticos teria como objetivo discutir uma proposta para legalizar diferentes modalidades de jogos de azar, incluindo apostas esportivas, bingos, cassinos e o próprio jogo do bicho.
Proposta teria partido de Waldir Maranhão
Segundo a publicação, Waldir Maranhão teria apresentado aos dois contraventores a possibilidade de aproveitar sua passagem pela presidência da Câmara para acelerar a votação de um projeto que autorizasse os jogos de azar no país.
Maranhão havia assumido interinamente o comando da Câmara uma semana antes e permaneceu no cargo por 69 dias.
A reportagem atribui ao então deputado a proposta de promover rapidamente a legalização de “qualquer tipo de jogo”. Rogério Andrade teria demonstrado interesse na articulação.
Carlinhos Cachoeira, entretanto, teria rejeitado a iniciativa naquele formato, alegando que ele e Rogério Andrade eram pessoas condenadas, estavam sendo monitorados e poderiam atrair a atenção das autoridades.
A resistência do contraventor goiano teria impedido que a articulação avançasse naquele encontro.
João Caldas é apontado como articulador
A Revista Liberta atribui a João Caldas um papel de articulação na reunião. Segundo o texto, o ex-deputado teria utilizado a proximidade com Carlinhos Cachoeira para levar Waldir Maranhão até a residência do contraventor.
A publicação também relaciona Caldas às movimentações políticas posteriores em defesa da legalização dos jogos de azar.
Atualmente, João Caldas preside nacionalmente o Democracia Cristã. Ele também é irmão da ministra do STJ Marluce Caldas, cuja indicação à Corte teria contado, conforme a reportagem, com articulação política do ex-parlamentar.
O texto ainda recorda que o DC chegou a apresentar o ex-ministro Aldo Rebelo como pré-candidato à Presidência da República e posteriormente buscou viabilizar uma possível candidatura do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa.
Articulação teria seguido em Brasília
Após a resistência de Cachoeira, segundo a Revista Liberta, Waldir Maranhão teria retomado as articulações em Brasília, aproximando a discussão do então presidente do seu partido, Ciro Nogueira.
O debate sobre a legalização dos jogos passou a ganhar espaço entre integrantes da base política do governo de Michel Temer. As apostas esportivas de quota fixa foram posteriormente autorizadas pela legislação federal e passaram por um processo gradual de regulamentação.
A Revista Liberta sustenta que o encontro de 2016 representa o início de uma articulação organizada para inserir as apostas esportivas e outras modalidades de jogos de azar na agenda política do Congresso Nacional.
As informações sobre a reunião, os diálogos e as articulações atribuídas aos participantes são de responsabilidade da Revista Liberta. O relato apresentado não informa, no conteúdo reproduzido, se Waldir Maranhão, João Caldas, Carlinhos Cachoeira, Rogério Andrade ou os demais citados foram procurados para comentar as afirmações.
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