Política

Fachin pede análise técnica antes de decidir relatoria do caso Dark Horse

Presidente do Supremo quer esclarecimentos sobre critérios de distribuição antes de definir se investigação ficará com André Mendonça ou Alexandre de Moraes

Estadao Conteudo 24/06/2026
Fachin pede análise técnica antes de decidir relatoria do caso Dark Horse
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin - Foto: © Foto / Rosinei Coutinho / STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, solicitou uma análise da área técnica antes de decidir quem deverá relatar a investigação envolvendo valores enviados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a produção do filme Dark Horse, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em despacho publicado nesta quarta-feira, 24, Fachin pediu à Coordenadoria de Processamento Inicial da Secretaria Judiciária que preste esclarecimentos sobre os critérios de distribuição dos processos no Supremo.

O caso chegou ao ministro Alexandre de Moraes após ele receber uma notícia-crime apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). O parlamentar pediu a ampliação do escopo do inquérito que mirava o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), do qual Moraes é relator, para incluir a conduta de Flávio Bolsonaro.

Eduardo Bolsonaro foi condenado na semana passada por suposta coação no curso do processo e obstrução à Justiça no julgamento da trama golpista que tinha como líder o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A definição sobre a relatoria passou a ser analisada por Fachin após pedido de Moraes. Na última segunda-feira, 22, a Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu, em manifestação ao Supremo, que a investigação seja redistribuída ao ministro André Mendonça, relator do caso que envolve o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.

O pedido de Lindbergh foi apresentado depois que o site The Intercept Brasil revelou que Flávio Bolsonaro teria solicitado a Daniel Vorcaro R$ 134 milhões para financiar o filme. Segundo a publicação, cerca de R$ 61 milhões foram pagos e enviados a um fundo ligado a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

A suspeita é de que os recursos tenham sido usados para bancar a atuação do ex-deputado contra autoridades brasileiras. Após receber a notícia-crime, Moraes encaminhou a petição para análise da PGR.

Ao avaliar o pedido do deputado, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que o episódio “já é objeto de procedimento próprio na Suprema Corte, que tramita sob a supervisão do eminente ministro André Mendonça”.