Política

MPE se manifesta contra suspensão de pesquisa AtlasIntel determinada por Nunes Marques

Vice-procurador afirma que questionamentos sobre temas políticos sensíveis são naturais em levantamentos eleitorais e defende ausência de irregularidades na sondagem.

Estadao Conteudo 24/06/2026
MPE se manifesta contra suspensão de pesquisa AtlasIntel determinada por Nunes Marques
Nunes Marques - Foto: © Foto / Luiz Silveira / STF

O Ministério Público Eleitoral (MPE) invejou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na segunda-feira (22), parecer contrário à decisão do ministro Nunes Marques de suspender a divulgação de uma pesquisa de intenção de voto para presidente da República realizada pela AtlasIntel.

No documento, o vice-procurador Alexandre Espinosa afirmou que é natural que institutos de pesquisa consultem pesquisas sobre “temas políticos sensíveis” e sustentou que não houve irregularidades nas perguntas feitas aos entrevistados no levantamento suspenso.

A sondagem foi realizada após a divulgação de conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso e investigado por fraude financeira. O objetivo era medir o impacto do episódio na intenção de voto dos participantes.

“A intervenção da Justiça Eleitoral nas pesquisas eleitorais deve ser admitida em situações exclusivas, nas quais fique sobejamente demonstrada uma quebra objetiva do dever de equidistância e imparcialidade no levantamento científico realizado, com evidências concretas que permitam concluir uma indução que represente interferência significativa indevida na livre formação da opinião dos investigados”, afirmou o vice-procurador na manifestação.

A divulgação da pesquisa foi suspensa no dia 8 de junho, após pedido apresentado pelo PL ao TSE. Nunes Marques, atual presidente da Corte Eleitoral, entendeu que o levantamento teria sido induzido nas respostas dos participantes.

O PL questionou a regularidade de perguntas relacionadas ao caso Banco Master e alegou que o áudio em que Flávio Bolsonaro aparece pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse , cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teria sido apresentado aos entrevistados. O levantamento apontou queda de cinco pontos na intenção de voto em Flávio após a revelação da conversa com o banqueiro.

Na ocasião, o instituto responsável afirmou ao Estadão que o modelo adotou rigorosos critérios técnicos e científicos de imparcialidade, transparência e integridade metodológica. A AtlasIntel também argumentou que outras pesquisas identificaram impacto semelhante ao episódio sobre a intenção de voto na candidatura do senador, o que, segundo a empresa, comprovaria que os resultados refletem uma ocorrência real da opinião pública, e não uma suposta “contaminação metodológica”.

Com a decisão individual do ministro, a pesquisa não pode permanecer publicada nos canais oficiais da AtlasIntel, nem ser republicada ou impulsionada nas redes sociais. No dia 9 de junho, o plenário do TSE começou a julgar se uma liminar será mantida, mas um pedido de vista da ministra Estela Aranha interrompeu uma análise. Ainda não há dados definidos para a retomada do julgamento.