Política

Haddad diz que Jaques Wagner atuou contra interesses do Banco Master

Ex-ministro afirma que pediu ao senador para orientar bancada contra a chamada “Emenda Master”; Wagner tenta anular buscas no STF.

Estadao Conteudo 23/06/2026
Haddad diz que Jaques Wagner atuou contra interesses do Banco Master
Fernando Haddad - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Fernando Haddad (PT), ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, saiu em defesa do senador Jaques Wagner (PT), investigado na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraude financeira envolvendo o Banco Master.

Em declarações à Folha de S.Paulo, Haddad afirmou que pode atestar pessoalmente a atuação de Wagner no Senado para barrar interesses da instituição financeira. A Polícia Federal (PF) investiga se o senador teria usado sua atuação parlamentar para favorecer o Banco Master.

O ex-ministro disse ter pedido a Wagner que orientasse a bancada a votar contra a chamada “Emenda Master”, proposta pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Haddad também afirmou estar à disposição para depor sobre o episódio, caso seja necessário.

A declaração de Haddad reforça a linha adotada pela defesa de Jaques Wagner. Na segunda-feira (22), o senador apresentou recurso ao Supremo Tribunal Federal (STF) para anular a operação de busca e apreensão realizada em suas residências. A defesa sustenta que houve “erros graves” na ação.

Em nota, o gabinete do senador também afirmou que Jaques Wagner se posicionou contra a “Emenda Master”.

A fala representa uma mudança de tom em relação à postura adotada por Haddad logo após a operação. Na ocasião, ele disse esperar que a Justiça fosse feita e lamentou a possibilidade de que “uma pessoa próxima” tivesse cometido algum erro.

A Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraude envolvendo o Banco Master e o PT da Bahia, além dos vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a suposta participação de Wagner no esquema. A PF suspeita que o senador tenha recebido um imóvel avaliado em R$ 2,5 milhões, em Salvador, e pagamentos de propina que somariam R$ 3,5 milhões.