Política

Gonet promete ação da PGR contra deepfakes e facções na campanha eleitoral

Procurador-geral da República afirmou que o órgão atuará de forma imediata contra manipulações por IA e interferência do crime organizado no processo eleitoral.

Estadao Conteudo 13/06/2026
Gonet promete ação da PGR contra deepfakes e facções na campanha eleitoral

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que a PGR dará resposta imediata ao uso de deepfakes — vídeos ou áudios manipulados por inteligência artificial (IA) para simular falas e imagens de pessoas reais — e à eventual interferência de facções criminosas nas eleições de 2026.

“O TSE [Tribunal Superior Eleitoral] está atento a isso e a Procuradoria-Geral também”, disse Gonet, em entrevista ao EsferaCast. Ele reconheceu, no entanto, a dificuldade de distinguir conteúdos produzidos com IA de forma maliciosa daqueles criados de maneira legítima.

Gonet também alertou para o risco de facções e milícias impedirem candidatos de fazer campanha em territórios sob seu controle. “O Estado brasileiro não pode conviver com estados paralelos, montados e dirigidos por organizações criminosas”, afirmou.

O procurador-geral comentou ainda a recente classificação de facções brasileiras como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos. Na avaliação dele, a decisão norte-americana expõe o Brasil a uma imagem negativa no exterior, mas pode ter efeito positivo ao estimular a integração dos órgãos públicos no enfrentamento ao crime organizado.

Questionado sobre como a PGR se protege de pressões políticas em ano eleitoral, Gonet disse que a instituição mantém sua independência ao seguir “o ritmo do direito”, e não a velocidade da mídia.

Gonet também criticou a judicialização excessiva de conflitos na sociedade brasileira. Para ele, há uma tendência crescente de transformar disputas cotidianas em demandas judiciais, das relações de consumo aos embates políticos.

O procurador afirmou ainda que o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a funcionar como uma espécie de “terceira câmara” do Congresso, servindo de espaço para partidos menores que não conseguem ampliar sua voz no Legislativo e levam suas disputas à Corte.