Política

MPE aciona 13 agentes públicos por uso eleitoral de feira agropecuária em Rondônia

Representação aponta propaganda antecipada na Rondônia Rural Show 2026, evento bancado pelo governo estadual; Seagri diz que gastos seguiram trâmites legais.

Estadao Conteudo 12/06/2026
MPE aciona 13 agentes públicos por uso eleitoral de feira agropecuária em Rondônia
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Ministério Público Eleitoral (MPE) acionou o Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) contra 13 agentes públicos — entre senadores, deputados, vereadores e servidores — por suposta propaganda eleitoral antecipada durante evento agropecuário no estado.

A Rondônia Rural Show 2026 foi bancada pelo governo estadual e, apenas em diárias de servidores de uma secretaria, custou R$ 115 mil aos cofres públicos.

Em nota, a Secretaria de Estado da Agricultura (Seagri) informou que ainda não foi notificada sobre a representação do MPE e afirmou não ter tomado conhecimento oficial do processo por nenhum meio formal até o momento. A pasta disse estar à disposição para prestar esclarecimentos aos órgãos de controle e reiterou que todos os gastos públicos relacionados ao evento seguiram os trâmites legais e normativos aplicáveis.

Na representação, o MPE sustenta que a feira, realizada em Ji-Paraná entre os dias 25 e 30 de maio, foi utilizada como espaço de promoção pessoal e de pré-campanha eleitoral antes do período permitido pela legislação. Entre as condutas apontadas estão a instalação de outdoors, a distribuição de brindes personalizados e a veiculação de mensagens consideradas de apelo eleitoral.

Os senadores Marcos Rogério (PL-RO) e Jaime Bagattoli (PL-RO) estão entre os denunciados. Segundo o MPE, outdoors exibidos durante o evento associavam a atuação de Bagattoli à destinação de recursos e investimentos públicos.

Marcos Rogério, por sua vez, responde pela utilização de outdoor com a mensagem “A mudança que Rondônia quer”, interpretada pelo Ministério Público como conteúdo eleitoral. Ele disputa o governo estadual em campo oposto ao do atual governador Marcos Rocha (União Brasil), cujo partido apoia a candidatura do ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves (União Brasil).

Também figuram na ação os deputados federais Silvia Cristina Amancio Chagas (PP-RO) e Lúcio Mosquini (PL-RO), além dos deputados estaduais Alex Redano (Republicanos), Cássio Góis (PSD), Cirone Deiró (União Brasil), Laerte Gomes (PSD), Nim Barroso (PL) e Cláudia de Jesus (PT).

A deputada federal Silvia Cristina é acusada de distribuir bonés, camisetas e ventarolas com seu nome, fotografia e identificação parlamentar durante a feira. Completam a lista o presidente da Câmara Municipal de Ji-Paraná, Marcelo José de Lemos (Republicanos), o vereador Márcio Freitas (PL) e a assessora técnica da Assembleia Legislativa de Rondônia Dalita da Silva Rover.

Os representados terão oportunidade de apresentar defesa antes do julgamento pelo TRE-RO. Em nota, o MPE informou que pediu a condenação dos agentes públicos, mas não especificou quais punições foram solicitadas.

A organização da Rondônia Rural Show 2026 mobilizou ao menos quatro servidores da Seagri por períodos que chegaram a 43 dias consecutivos. Dados do Portal da Transparência do Estado mostram que Érica Aparecida de Almeida Basques Ferrão recebeu R$ 34.888,00 em diárias, o maior valor individual entre os servidores.

Scheyla Pessoa de Freitas recebeu R$ 32.930,00; Alex Fernandes Rosário, R$ 23.496,00; e Rafaela Alves da Silva Barreto, R$ 22.962,00. Juntos, os quatro acumularam R$ 115.276,00 em diárias pagas por uma das secretarias envolvidas na realização do evento.

Segundo nota assinada pelo secretário de Agricultura, Luiz Paulo da Silva Batista, para a edição de 2026 o governo estadual investiu em infraestrutura, logística e serviços para a implantação de uma estrutura física de grande complexidade.

A secretaria afirmou ainda que a organização do evento exige “presença física contínua no local” e reforçou que todos os gastos foram realizados “em estrita observância aos trâmites legais, normativos e de controle interno aplicáveis”.