Política
Sessão no Senado celebra quadrilheiros juninos com homenagens e cobranças
Representantes do movimento junino defenderam financiamento permanente e políticas públicas estruturadas para preservar a tradição
A sanfona toca, as saias rodam e os pares se encontram na pista. A quadrilha é o coração que faz a festa junina pulsar. Por trás de cada passo, há quadrilheiros que dedicam o ano inteiro para manter viva essa tradição. Em homenagem a esses guardiões da cultura popular, o Senado realizou, nesta sexta-feira (12), uma sessão especial em celebração ao Dia Nacional do Quadrilheiro Junino, comemorado anualmente em 27 de junho.
A celebração, no entanto, também foi marcada por reivindicações. Representantes do movimento junino do Distrito Federal usaram a tribuna para cobrar do poder público financiamento permanente e políticas públicas estruturadas. Sem esse apoio, alertaram, a tradição corre risco.
A sessão foi proposta pelo senador Izalci Lucas (PL-DF). O parlamentar destacou que as quadrilhas juninas são resultado de meses de ensaios e dedicação, e defendeu uma política permanente de financiamento para a preservação dessa manifestação cultural.
— Não se faz cultura sem recurso. Isso já deveria estar na política pública há muito tempo. A gente tem que estar no orçamento do governo federal, municipal, estadual, para que não haja descontinuidade e a gente possa realmente preservar essa cultura maravilhosa das quadrilhas juninas — afirmou.
O presidente da Federação de Quadrilhas Juninas do Distrito Federal e Entorno (Fequaju-DFE), Robson Vilela, alertou que a preparação das quadrilhas começa em janeiro, mas o suporte público, no caso do Distrito Federal, chega tarde. Segundo ele, a falta de apoio no início do processo obriga os grupos a recorrerem a rifas, galinhadas e outras iniciativas para se manter. Por isso, a federação encaminhou pedido à Câmara Legislativa do DF para que o amparo seja garantido desde as primeiras etapas de preparação.
— O decreto [sobre o tema] não reconhece o quadrilheiro que começa no mês de janeiro a fazer quadrilha. Ele reconhece apenas o evento lá na frente. Então, as quadrilhas juninas, que são o grande pilar do movimento junino, começam a fazer quadrilhas juninas sem ter o alicerce — disse.
O vice-presidente da Liga Independente de Quadrilhas Juninas do Distrito Federal e Entorno (Linq-DFE), Tiago Viana, afirmou que as dificuldades enfrentadas pelos quadrilheiros do DF se repetem em todo o país. Ele também cobrou políticas públicas estruturadas e suporte permanente, ressaltando que a cultura junina forma um sistema complexo, que envolve dançarinos, músicos, figurinistas, coreógrafos, motoristas, cozinheiros e famílias inteiras.
— Não está em relatório, não está em gabinete. Está dentro da comunidade — apontou.
Patrese Ricardo, representante do Projeto Giro Cultural, reforçou o tom de cobrança e reconheceu o apoio do senador Izalci Lucas, por meio de emendas, como um alento diante da ausência histórica de políticas públicas para o setor. Segundo ele, apesar de mais de 30 anos de atuação do movimento junino em Brasília, nunca houve, de fato, uma política pública consistente. Os recursos repassados, afirmou, ainda cobrem menos de 10% das despesas reais dos grupos.
— São valores que cada grupo já espera a cada ano cair na sua conta para poder pagar um transporte, pagar seu traje e pagar as demais despesas — disse.
Origem
Trazidas ao Brasil pela corte portuguesa no início do século 19, as quadrilhas nasceram como dança dos salões da elite parisiense e se transformaram, ao longo dos séculos, em uma das mais vibrantes manifestações da cultura popular brasileira. Esse percurso culminou, em 2024, com o reconhecimento oficial da tradição.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 14.900/2024, que garante às quadrilhas juninas o status de manifestação da cultura nacional. A proposta que deu origem à lei (PL 1.227/2023) foi aprovada pelo Senado em 21 de maio de 2024.
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