Política
Especulações apontam que pré-candidatos a federal do PSDB podem abandonar projeto de JHC
Relatos de bastidores indicam insatisfação de integrantes da chapa proporcional com suposto descumprimento de compromissos; até o momento, porém, não há anúncio público de rompimento
O ambiente político entre o ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao Governo de Alagoas, JHC, e parte dos pré-candidatos a deputado federal do PSDB teria se deteriorado nas últimas semanas.
Relatos que circulam nos bastidores da política alagoana apontam que alguns integrantes da chapa proporcional estariam insatisfeitos com o que classificam, reservadamente, como descumprimento de compromissos assumidos pelo ex-prefeito para a estruturação das futuras candidaturas.
Entre os nomes citados nessas conversas estão Eduardo Canuto, João Catunda, Kelmann Vieira e Chico Filho. A insatisfação teria alimentado especulações sobre a possibilidade de alguns deles se afastarem do projeto político liderado por JHC.
Até o momento, contudo, nenhum desses pré-candidatos anunciou publicamente a retirada de sua candidatura, o rompimento com o PSDB ou o abandono do apoio ao ex-prefeito de Maceió.
Gilvan Barros e Gustavo Lima aparecem, atualmente, como os pré-candidatos que mantêm presença mais frequente ao lado de JHC nas agendas e caravanas realizadas pelo interior do estado.
Sinais de distanciamento
Os sinais de desconforto não seriam recentes.
Kelmann Vieira chegou a fazer reclamações públicas sobre a falta de apoio político. Chico Filho e Eduardo Canuto reduziram as manifestações relacionadas ao projeto eleitoral. João Catunda, por sua vez, tem sido pouco visto nas últimas agendas promovidas pelo grupo.
O afastamento dos eventos não significa, necessariamente, rompimento político. Entretanto, nos bastidores, o comportamento tem sido interpretado como sinal de insatisfação e possível distanciamento.
Entre os pré-candidatos, conforme relatos repassados à reportagem, haveria frustração com a demora na implementação de compromissos considerados importantes para a montagem das candidaturas proporcionais.
Compromissos adiados
A principal reclamação seria a falta de cumprimento de acordos relacionados à estrutura e ao suporte eleitoral que teriam sido prometidos aos integrantes da chapa de deputado federal.
De acordo com as informações de bastidores, parte desses compromissos deveria ter sido atendida até o dia 15 de maio. O prazo teria sido posteriormente transferido para 30 de maio e, depois, para 5 de junho.
Também teria surgido a informação de que apenas 10% do que havia sido inicialmente acordado seria disponibilizado nesta primeira etapa.
Mesmo essa nova previsão, segundo interlocutores do grupo, não teria avançado até agora.
Não foram apresentados à reportagem documentos, contratos ou comunicações oficiais que comprovem os valores, os percentuais ou o conteúdo exato desses compromissos. As informações decorrem de relatos de pessoas ligadas ao ambiente político partidário.
Paciência no limite
Após o feriado de Corpus Christi, o desconforto teria aumentado entre vereadores, pré-candidatos e lideranças vinculadas ao projeto de JHC.
Interlocutores afirmam que alguns dos aliados teriam chegado ao limite da paciência e começado a discutir alternativas para a eleição de outubro.
Entre as possibilidades ventiladas estariam a permanência no PSDB com maior autonomia, o afastamento gradual das agendas de JHC ou até uma futura mudança de alinhamento político, caso exista viabilidade jurídica e partidária.
Nenhuma dessas hipóteses, entretanto, foi confirmada publicamente pelos pré-candidatos mencionados.
Caravanas pelo interior
Enquanto enfrenta as especulações sobre problemas na montagem da chapa proporcional, JHC continua percorrendo municípios do interior de Alagoas.
As agendas têm sido realizadas em feiras livres, ruas comerciais e encontros com lideranças municipais. O grupo político utiliza essas visitas para apresentar o ex-prefeito como pré-candidato competitivo ao Governo do Estado e demonstrar aproximação com a população do interior.
Adversários, contudo, classificam algumas dessas mobilizações como esvaziadas e afirmam que parte dos participantes seria formada por pessoas ligadas à antiga administração de JHC em Maceió.
Essa avaliação faz parte da disputa política e eleitoral. Não há, até o momento, levantamento independente que permita determinar a composição do público presente em cada uma das agendas.
Angústia na base
Nos corredores da Câmara Municipal de Maceió, o ambiente descrito por interlocutores já não seria de entusiasmo semelhante ao registrado no início da montagem do projeto eleitoral.
Entre vereadores, pré-candidatos e lideranças, cresceriam sentimentos de insegurança, angústia e desconfiança quanto à capacidade do grupo de cumprir os compromissos assumidos e oferecer condições competitivas aos candidatos proporcionais.
A eventual saída de nomes da chapa de deputado federal representaria um problema para JHC. Uma candidatura ao Governo do Estado necessita de palanques municipais, nominatas proporcionais competitivas e candidatos capazes de levar a campanha majoritária às suas bases eleitorais.
Por outro lado, a permanência dos pré-candidatos e a solução das divergências poderão permitir que o PSDB reorganize sua estratégia e contenha a crise antes das convenções partidárias.
O cenário, portanto, ainda está em construção. O que existe neste momento são relatos de insatisfação, sinais de distanciamento e especulações sobre possíveis mudanças de posição, mas não um rompimento formal ou coletivo dos pré-candidatos mencionados.
A Tribuna do Sertão mantém o espaço aberto para que JHC, a direção estadual do PSDB e todos os pré-candidatos citados nesta reportagem possam se manifestar, apresentar sua versão, esclarecer os compromissos mencionados ou contestar as informações e avaliações registradas no texto. Eventuais posicionamentos serão acrescentados à matéria com o devido destaque.
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