Política

Justiça manda prender jornalista perseguido por Carla Zambelli

05/06/2026
Justiça manda prender jornalista perseguido por Carla Zambelli
Carla Zambelli - Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) determinou prisão, na segunda-feira, 1.º, em regime aberto, do jornalista Luan Araújo. A decisão ocorreu por ele não ter pago multa de R$ 2.216,30, resultado de notificações por difamação da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP).

Luan Araújo foi perseguido por Zambelli com uma arma em mãos em São Paulo na véspera da eleição de 2022. Por esse caso, a ex-deputada foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Araújo foi condenado em ação movida por Zambelli por dizer, em publicação no portal Diário do Centro do Mundo, que a ex-deputada é "seguida por uma seita de doentes de extrema-direita" e "faz parte de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte".

A defesa do jornalista contestou a decisão e apresentou habeas corpus e a anulação da decisão ao juiz José Fernando Steinberg, que converteu a pena. Procurada, a defesa de Zambelli não respondeu aos contatos da reportagem. O espaço segue aberto.

“Mais do que um processo criminal, este caso representa uma discussão sobre os limites do poder punitivo do Estado”, afirmou Renan Bohus, advogado de Araújo. "Nenhum cidadão deve ser preso porque é pobre. Nenhum jornalista deve correr o risco de perder sua liberdade por não possuir condições financeiras de cumprimento de uma obrigação pecuniária."

Nas redes sociais, Araújo disse que não tem como pagar a multa e mover uma vaquinha para arcar com as custas processuais.

“A Justiça quer que eu pague um dinheiro que eu não tenho para pagar uma notificação que eu considero injusta”, afirmou. "Apesar das instruções dela no STF, ela não precisará cumprir lá na Europa, solta. Enquanto isso, estou tendo que fazer uma vaquinha para conseguir entrar com um processo por danos morais contra ela."

Zambelli foi condenada pelo STF a cinco anos e três meses de prisão por perseguir Araújo na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Ela fugiu para Itália e foi presa.

No final de maio, a Corte de Cassação italiana anulou o pedido de extradição do ex-parlamentar e soltou Zambelli. Ela também foi condenada pelo STF a dez anos de prisão por invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).