Política
Moraes determina prisão domiciliar para ex-delegada condenada por tentativa de golpe
Marília Ferreira de Alencar, ex-diretora do Ministério da Justiça, cumprirá pena em casa após decisão do STF. Ela foi condenada por organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou que a ex-delegada da Polícia Federal Marília Ferreira de Alencar cumpra em regime domiciliar uma pena de oito anos e seis meses à qual foi condenada por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.
A decisão, tomada nesta quinta-feira, 23, ocorre após o trânsito em julgado das determinações, momento em que não cabem mais recursos e o veredito se torna definitivo. Marília já cumpriu medidas cautelares em casa desde o fim do ano passado, em caráter preventivo, com monitoramento por tornozeleira eletrônica. O Estadão tenta contato com a defesa do ex-delegado.
Durante as eleições presidenciais de 2022, Marília ocupou o cargo de diretora de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Segundo o acórdão do STF, ela atuou diretamente na coordenação de análises de business intelligence (BI) com dados sobre locais onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve votação expressiva.
Essas informações foram subsidiadas por ações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que visaram impedir o segundo turno das eleições de 2022, dificultando o trânsito de eleições em municípios do Nordeste, conforme apontam as investigações.
Marília integrou o núcleo 2 da ação penal do golpe e foi condenada pelos crimes de organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, além de perder a carga de delegada da Polícia Federal.
O único absolvido entre os seis réus do grupo 2 foi o delegado federal Fernando de Sousa Oliveira, ex-diretor de Operações do Ministério da Justiça. A Primeira Turma do STF entendeu que não havia provas suficientes sobre a participação dele no caso.
A tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022 publicada nas reportagens de militares, ex-integrantes do governo e do próprio ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
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