Política

Quaquá critica indicação de Benedita da Silva à chapa para o Senado

Vice-presidente do PT questiona escolha de Manoel Severino como suplente na chapa de Benedita e defende nomes de seu grupo para a vaga.

20/04/2026
Quaquá critica indicação de Benedita da Silva à chapa para o Senado
Washington Quaquá - Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

A definição da chapa do Partido dos Trabalhadores (PT) para a disputa ao Senado pelo Rio de Janeiro provocou divergências internas. No sábado (18), o diretório estadual aprovou a pré-candidatura da ex-governadora e deputada federal Benedita da Silva, que sugeriu o ex-presidente da Casa da Moeda, Manoel Severino, como seu primeiro suplente. No entanto, a indicação não foi aceita pela sigla.

No domingo (19), o vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, divulgou nota criticando a escolha. Apesar de afirmar apoio à candidatura de Benedita, Quaquá disse ter sido "surpreendido" pela preferência dela por Severino como suplente. Segundo Quaquá, Benedita formalizou a indicação em ofício enviado às direções nacional e estadual do partido em 8 de abril. Manoel Severino, além de ex-presidente da Casa da Moeda, foi secretário de Benedita durante seu governo no Rio.

A indicação de Severino enfrentou resistência, e o partido decidiu lançar como suplentes nomes sugeridos pelo grupo de Quaquá, majoritário no diretório estadual. Foram indicados o líder do PT na Câmara Municipal do Rio, vereador Felipe Pires, para a primeira suplência, e o pastor e cantor Kleber Lucas para a segunda.

"Fomos, portanto, surpreendidos com a exigência de inclusão, como primeiro suplente, de um assessor, ex-presidente da Casa da Moeda, envolvido em escândalos. Não concordamos com essa indicação e, em reunião do diretório, aprovamos os dois nomes apresentados pelo nosso campo", afirmou Quaquá. Ele acrescentou: "Benedita é uma mulher honrada, de trajetória respeitada e compromisso público reconhecido. Justamente por isso, é fundamental que sua candidatura esteja protegida de qualquer elemento que possa gerar questionamentos ou fragilizar o projeto coletivo".

Manoel Severino é um dos fundadores do PT no Rio e presidiu a Casa da Moeda durante o primeiro governo Lula, entre 2003 e 2005, deixando o cargo após ser citado nas investigações do escândalo do Mensalão. Apesar de ter sido investigado, Severino nunca foi condenado. Ele também atuou como secretário no governo de Benedita e coordenou sua campanha de reeleição em 2002.

Em resposta às críticas, Severino declarou: "Não respondo a processo, nunca fui condenado e minhas contas na Casa da Moeda foram aprovadas", disse ao jornal Tempo Real RJ.

De acordo com nota do PT do Rio, Felipe Pires e Kleber Lucas serão os suplentes da chapa, mas as estratégias eleitorais ainda passarão por nova rodada de debates internos, com conclusão prevista para 23 de maio, durante o Encontro Estadual do partido.

No mesmo encontro do último sábado, o diretório confirmou apoio à pré-candidatura do ex-prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), ao governo do Estado. Para o PT, a candidatura de Paes será "principal palanque" para a campanha de reeleição do presidente Lula no estado.

O partido também se manifestou em favor da realização de eleições diretas no Estado. Desde o final de março, após a renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL) e a vacância do cargo de vice, o governo fluminense é ocupado interinamente pelo desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio.

Segundo o diretório do PT, a eleição direta é a "alternativa mais adequada" para "assegurar a participação popular e o pleno respeito aos princípios democráticos".