Política
JHC tem vitrine em Maceió, mas chega fragilizado ao interior: apoios são pontuais e não sustentam, sozinhos, uma majoritária
Ainda no PL, partido sem capilaridade no interior , prefeito tenta montar palanque com “pacote Republicanos” de AA e com 3 possíveis candidatos ao senado causando instabilidade no bloco oposicionista
Se a eleição para governador fosse decidida por alcance em redes sociais e pela vitrine de uma capital, JHC entraria no jogo com vantagem. Mas Alagoas — em eleição majoritária — não se ganha só com popularidade urbana na orla de Maceió: se ganha com prefeitos, veredores, bases municipais, palanques regionais e alianças orgânicas no interior. E é justamente aí que o projeto do prefeito de Maceió mostra a sua fragilidade: fora da capital, o palanque ainda é raso, instável e dependente de lideranças que têm vida própria.
Para piorar o cenário, JHC ainda é filiado ao PL, partido que, no desenho estadual, aparece praticamente confinado à capital, sem a capilaridade municipal que costuma decidir eleição de governador.
E, no meio disso tudo, surge o “x” que pode virar o ponto mais sensível da campanha: a Prefeitura de Maceió. Se JHC for mesmo candidato, ele precisará deixar o cargo - e a gestão cai no colo do vice-prefeito Rodrigo Cunha, que vira, ao mesmo tempo, avalista e teste de estresse do projeto.
Quem sustenta JHC — e por que isso não fecha o estado
1) Maceió: máquina municipal e base de vereadores
O núcleo mais seguro do prefeito é a estrutura da Prefeitura e a base governista na Câmara. É um palanque sólido dentro da capital. O problema é que vereador de Maceió não vira prefeito do Sertão por osmose, e capital não resolve sozinha uma majoritária estadual.
Em resumo: Maceió dá palco. Não dá, por si, a malha municipal.
2) O “fiador” da continuidade: Rodrigo Cunha e a Prefeitura no campo eleitoral
Aqui entra um ponto central - e que faltava explicitar no desenho: Rodrigo Cunha.
Se JHC sair candidato, Rodrigo assume a Prefeitura em pleno ano eleitoral. Isso significa que a gestão municipal vira, inevitavelmente, parte do jogo, porque: a prefeitura vira vitrine permanente da campanha (mesmo que ninguém admita oficialmente); decisões administrativas passam a ser lidas como gestão e mensagem política ao mesmo tempo; qualquer crise — saúde, educação, transporte, obras, segurança urbana — vira munição para adversários estaduais.
A pergunta, portanto, não é apenas se Rodrigo Cunha vai “jogar” a prefeitura no campo eleitoral. A pergunta é: ele consegue evitar que a prefeitura vire o próprio campo de batalha?
Porque, na prática, ao assumir, Rodrigo vira o rosto da continuidade e também o alvo preferencial de quem quer desgastar JHC sem enfrentá-lo diretamente.
Em resumo: Rodrigo pode virar o “motor” ou o “freio” da candidatura - dependendo do desempenho na cadeira de prefeito.
3) Sertão: Celso Luiz (apoio condicionado e sem fidelidade plena)
No Sertão, a ponte mais citada é Celso Luiz, político que busca reabilitação, mas o apoio é tratado como oscilante, com simpatias divididas e margem para rearranjos. Há ainda o projeto de lançar o irmão Tenorinho para deputado estadual, numa disputa naturalmente dura na Assembleia que já tem cadeiras marcadas e que para entrar precisa furar o bloqueio de Marcelo Victor.
Em resumo: não é âncora; é aposta de curto prazo.
4) Agreste: o “pacote Republicanos” (Antônio Albuquerque + Davi Davino Filho)
No Agreste, o eixo mais visível é o Republicanos de Antônio Albuquerque, agora “temperado” com Davi Davino Filho no partido. Isso pode parecer reforço, mas carrega uma fragilidade: cada um tem agenda própria, e nenhum deles quer entrar para ser coadjuvante.
Somado a isso, permanece o litígio envolvendo Nivaldo Albuquerque contra Paulão (PT), com desfecho ainda dependente de instâncias superiores — um tema que consome energia política, mas não resolve a falta de prefeitos alinhados ao projeto de governo.
Em resumo: barulho não é base; e conveniência não é fidelidade.
5) Arthur Lira: apoio que depende do tabuleiro do Senado
Arthur Lira é grande demais para entrar num projeto com risco de fratura. E a fratura mais provável nasce no Senado: com Alfredo Gaspar de Mendonça mirando candidatura, a majoritária tende a ficar mais complexa. Quanto mais o campo de JHC se fragmenta, mais Lira tem motivos para recalcular a adesão.
Em resumo: Lira observa, mede e só aposta onde há controle de cenário.
O diagnóstico: JHC depende da capital, mas governador se elege no estado
Hoje, a equação é dura:
JHC tem vitrine, mas não tem ainda o exército municipal do interior.
Tem aliados, mas a maioria é de apoio localizado, com vida própria.
Tem rede social, mas rede social não substitui prefeito nem estrutura territorial.
E, quando se soma a isso o fator Rodrigo Cunha, surge a peça decisiva: se a Prefeitura de Maceió virar um governo “em campanha”, o desgaste pode bater na porta antes do interior abrir as portas.
A candidatura de JHC, portanto, tem um dilema prático: para ganhar o estado, ele precisa sair da prefeitura; mas para sair da prefeitura com força, ele precisa que Rodrigo Cunha sustente a capital sem que a cidade vire uma trincheira eleitoral.
Fechar uma candidatura ao governo, em Alagoas, exige mais do que capital e rede social: exige interior, exige prefeitos, exige palanque municipal. Hoje, JHC tem vitrine e comunicação, mas ainda não tem a musculatura territorial que costuma decidir majoritária no estado.
E o fator que pode virar a chave -para o bem ou para o mal - está dentro de casa: Rodrigo Cunha. Se JHC sair, a Prefeitura de Maceió deixa de ser apenas vitrine e passa a ser campo de jogo, com cobrança diária, fogo cruzado político e risco de desgaste acelerado. Em 2026, a pergunta não será só “quem apoia JHC no interior?”, mas também: Rodrigo consegue segurar a capital sem transformar a gestão em trincheira eleitoral?
Porque, no fim, a campanha de JHC pode acabar decidida tanto nas estradas do interior quanto nas ruas de Maceió — e a capital, que é sua fortaleza, também pode virar o seu principal flanco.
SERVIÇO — Mapa de apoios por região (2026)
| Região | Quem apoia (ou sinaliza apoio) | O que entrega (palanque/voto/estrutura) | Fragilidade do apoio |
|---|---|---|---|
| Litoral | JHC (Prefeitura de Maceió) + base governista na Câmara; Rodrigo Cunha (sucessão/continuidade na capital, se JHC sair) | Estrutura pesada na capital (máquina, visibilidade, comunicação, agenda institucional) + palanque urbano | Concentração em Maceió: força não “viaja” automaticamente; gestão pode virar trincheira eleitoral quando Rodrigo assumir; qualquer crise municipal vira munição contra a candidatura |
| Zona da Mata | Apoios pontuais e em construção, sem um bloco municipal consolidado (lideranças isoladas e alianças de ocasião) | Palanques localizados e presença em eventos; apoio de pequenos grupos | Baixa capilaridade: ausência de prefeitos fortes alinhados; dependência de acordos frágeis e de lideranças sem máquina |
| Agreste | Antônio Albuquerque (Republicanos) + Davi Davino Filho (no Republicanos); ramificações em municípios com lideranças e candidatos locais derrotados | Palanque regional em municípios sob influência do grupo; alguma estrutura partidária e redes locais | Agenda própria do grupo; alianças são negócio, não fidelidade; disputa paralela (ex.: pauta de Nivaldo/Paulão) consome energia; influência não é majoritária no Agreste inteiro |
| Sertão | Celso Luiz (aproximação, mas com portas abertas ao governo); projeto de Tenorinho para estadual | Votos e articulação em áreas específicas; palanque local em alguns municípios | Apoio condicionado e dividido com o governo; risco de “meia-aliança”; candidatura proporcional pode reordenar compromissos; não há garantia de entrega integral para a majoritária |
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