Política

Em evento, Moraes afirma ter 'feito o que tinha que fazer' no dia de decisão sobre Bolsonaro

Ministro do STF faz referência à decisão de transferir Bolsonaro durante cerimônia na USP e é aplaudido pela plateia.

16/01/2026
Em evento, Moraes afirma ter 'feito o que tinha que fazer' no dia de decisão sobre Bolsonaro
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) - Foto: Reprodução / Agência Brasil

Horas após determinar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes afirmou, na noite desta quinta-feira (15), em São Paulo, que já tinha "feito o que tinha que fazer".

A declaração foi feita durante a cerimônia de colação de grau da 194.ª turma da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), na qual Moraes atuou como paraninfo.

Em tom descontraído, o ministro comentou, durante seu discurso, que nenhum dos oradores respeitou o tempo máximo previsto, fazendo uma brincadeira sobre o descumprimento dos minutos programados para cada fala.

"Oito discursos para vocês é um absurdo do absurdo. Vocês percebem que ninguém cumpriu os três minutos? Quase que eu tive que tomar algumas medidas. Mas eu me contive hoje, né? Acho que hoje eu já fiz o que eu tinha que fazer", afirmou Moraes.

Embora não tenha citado diretamente o nome de Bolsonaro ou a transferência para a Papudinha, a fala do ministro foi interpretada como uma alusão ao episódio. A plateia reagiu com aplausos à declaração.

Transferência para Papudinha

Nesta quinta-feira (15), Alexandre de Moraes determinou a transferência do ex-presidente da sala de Estado-Maior na Superintendência da Polícia Federal em Brasília para o 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal. O local é conhecido como Papudinha.

Na decisão, Moraes afirmou que Bolsonaro passará a cumprir a prisão em condições "ainda mais favoráveis", em uma sala exclusiva e com isolamento total em relação aos demais detentos do complexo. Apesar da capacidade para até quatro presos, o espaço será ocupado apenas pelo ex-presidente.

Bolsonaro e familiares vinham reclamando das condições na sede da Polícia Federal, principalmente do barulho do ar-condicionado central e da alimentação. Ao abordar o tema, Moraes ressaltou que, apesar das queixas, as condições relatadas "não existem para os demais 384.586 presos em regime fechado no Brasil".