Política
Lula defende ação policial em áreas nobres e critica violência em favelas
Presidente diz que Estado não pode ser derrotado por organizações criminosas e pede mudança de foco nas operações policiais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a chamada "PEC da Segurança Pública", atualmente em análise no Congresso Nacional, tem como objetivo garantir que o Estado não seja "derrotado por nenhuma organização criminosa". Lula destacou ainda a necessidade de ampliar o alcance das operações policiais, defendendo que as ações cheguem às "coberturas", em vez de se limitarem a "matar gente em favela". As declarações foram feitas nesta quinta-feira (15), durante a posse do novo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, que assume o cargo no lugar de Ricardo Lewandowski.
"Não é só a transferência de dinheiro. Qual é a ação da Polícia Federal? Qual é a ação da Guarda Nacional, que nós temos que criar com muita força? Qual é a ação da Polícia Rodoviária Federal? Qual é o papel de cada um? Para que a gente possa definitivamente dizer que o Estado não pode ser derrotado por nenhuma organização criminosa, por nenhuma organização empresarial, por nenhuma organização religiosa", afirmou Lula.
O presidente prosseguiu: "Nada pode derrotar o Estado, a não ser a incompetência e a incapacidade dos governantes e das instituições". Lula também ressaltou que o novo ministro dará continuidade ao trabalho "para que a gente possa, pela primeira vez, não ficar apenas matando gente em favela, não apenas ficar prendendo pobre, mas chegar na cobertura".
Lula defendeu ainda a autonomia do Ministério Público, da Polícia Federal e da Receita Federal. "Quando a gente governa, muitas vezes acha ruim que vocês tenham tanta autonomia. Mas, se vocês não tivessem autonomia, certamente as instituições não teriam a importância que têm, porque seriam facilmente cooptadas pelo poder político", declarou.
Ele acrescentou: "E é importante que vocês digam em alto e bom som: eu não pertenço ao presidente da República. Eu não pertenço ao presidente do Senado. Eu não pertenço ao presidente da Câmara. Eu sou uma instituição democrática do Estado brasileiro, que pertence ao povo brasileiro".
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