Poder e Governo
Aliados de Marinho e Tereza buscam candidatura unificada para o Senado
Parlamentares propõem nome de consenso para 2027 e 2029
O acordo discutido entre os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) visa evitar a divisão da oposição na disputa pela presidência do Senado. A proposta inclui um pacto para que ambos sejam os nomes de consenso do mesmo campo político para as próximas duas eleições da Mesa. Um deles seria o candidato em 2027, enquanto o outro se apresentaria em 2029.
A alternativa, defendida por aliados dos dois parlamentares, permitirá a retirada da candidatura de um deles até fevereiro, com o objetivo de formar uma frente à direita para enfrentar Davi Alcolumbre (União-AP).
Embora ainda não tenham discutido quem terá a preferência em 2027, Marinho e Tereza já concordaram em não se candidatar um contra o outro.
Uma das defensoras da proposta é a deputada e senadora eleita Bia Kicis (PL-DF), que sugere reservar o segundo biênio à ex-ministra da Agricultura. Tereza busca se tornar a primeira mulher a presidir a Casa.
— Tenho confiança de que um acordo será feito entre pessoas de boa vontade que querem o bem do país — afirmou.
Apesar do desejo de ambos em disputar a presidência já em fevereiro, interlocutores apontam uma vantagem para quem assumir o segundo biênio: a possibilidade de permanecer no cargo por quatro anos. Isso ocorre porque a Constituição proíbe a reeleição para o mesmo posto na Mesa Diretora dentro de uma mesma legislatura.
Dessa forma, quem for eleito em 2027 não poderá se reeleger em 2029, mas quem assumir mais tarde poderá buscar a recondução em 2031, quando terá início uma nova legislatura.
Buscando consenso, o entendimento político pode ser impactado por outras variáveis. Alcolumbre deve contar com o apoio do governo e a acomodação de outras forças políticas ao longo de quatro anos é incerta.
Marinho e Tereza mantêm suas candidaturas e planejam comparar as respectivas contagens de votos em janeiro para determinar quem está em melhores condições de enfrentar Alcolumbre. O senador do PL oficializou sua candidatura nesta semana e procura ampliar sua base além dos 29 integrantes que o partido terá a partir de fevereiro. Com os três senadores do Novo, o grupo soma 32 cadeiras, abaixo dos 41 votos necessários para vencer a eleição.
Como parte dessa estratégia, Marinho pretende convidar o senador Efraim Filho (PL-PB) para coordenar sua campanha. Embora pertença ao mesmo partido, Efraim mantém uma relação próxima com Alcolumbre e pode ajudar a atrair parlamentares que ainda não apoiaram a candidatura do PL.
Tereza, por sua vez, aposta em sua capacidade de transitar entre diferentes partidos para conquistar votos no Centrão, inclusive de integrantes de legendas que já anunciaram apoio a Alcolumbre. A ex-ministra conta com o apoio da senadora Damares Alves (Republicanos-DF), próxima de Michelle Bolsonaro, que acredita que Tereza tem maior potencial para atrair apoios fora da oposição.
Enquanto a oposição busca um entendimento, Alcolumbre tenta atrair dissidentes da direita oferecendo relatorias e espaços de influência no Senado. O atual presidente da Casa conta com o apoio das direções da federação União-PP, do MDB e do PSD, além da tendência de adesão do PT.
Um dos acenos foi a indicação de Eduardo Gomes (PL-TO) para relatar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027. Anteriormente, o posto havia sido oferecido a Tereza, que recusou o convite para evitar que a aceitação fosse interpretada como um acordo com Alcolumbre.
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