Poder e Governo

PL lança candidatura ao Senado de Rogério Marinho, defensor de anistia a condenados por golpe

Em lançamento, senador critica tratamento dado à oposição na Casa; Tereza Cristina mantém intenção de entrar na disputa

Agência O Globo - 04/11/2026
PL lança candidatura ao Senado de Rogério Marinho, defensor de anistia a condenados por golpe
Rogerio Marinho (PL-RN). - Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O PL confirmou, nesta quarta-feira, em reunião em Brasília, a candidatura do senador Rogério Marinho (RN) para presidir o Senado Federal a partir do próximo ano. O parlamentar ressaltou que a disputa pelo comando da Casa visa "destravar pautas" da oposição, incluindo o projeto de anistia aos condenados pela tentativa de golpe de Estado. A afirmação foi feita durante o lançamento oficial de seu nome, em um encontro com parlamentares eleitos pelo PL e aliados de outros partidos.

— O Congresso Nacional vai nos dar condição de destravar a pauta e vamos permitir que o projeto da anistia seja apreciado, afirmou Marinho.

Ao justificar sua candidatura contra o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), Marinho recordou a disputa pelo comando da Casa em 2023, quando concorreu contra Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Segundo ele, a candidatura foi uma solicitação do ex-presidente Jair Bolsonaro, que apontava a necessidade de a oposição firmar uma posição após a derrota na eleição presidencial de 2022.

— Quando me perguntam por que não Alcolumbre, eu tenho que lembrar um fato que me marcou. Quando o presidente Bolsonaro perde as eleições, ele me pergunta se eu aceitaria ser presidente do Senado. Ele disse que nós precisamos marcar posição. Nós não tivemos êxito, mas fomos vitoriosos porque nós unimos, destacou.

O senador também criticou a distribuição de espaços nas comissões e prometeu uma postura diferente caso vença Alcolumbre.

— Os vencedores não fizeram gestos, não nos permitiram participar das comissões. Se ganharmos, vamos tratar de forma diferente. Vamos respeitar a democracia e a dissidência, disse.

Marinho também prestou homenagem a Flávio Bolsonaro (PL-RJ), de quem coordenou a campanha presidencial, e mencionou uma proposta apresentada por ele para acabar com a reeleição.

— Flávio Bolsonaro é quem faço homenagem neste momento. No início da sua candidatura, ele protocolou uma PEC propondo o fim da reeleição. Isso gerou vingança no nosso país. Pela reeleição se mata neste país. Não pensem que minha palavra é de um radical, é de um político que não vai se calar, declarou.

O PL oficializou a candidatura de Marinho em uma reunião com parlamentares eleitos pela legenda e aliados de outros partidos. O evento contou com a presença do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e dos senadores eleitos Guilherme Derrite (PP-SP) e Deltan Dallagnol (Novo-PR), mostrando a intenção de ampliar sua base além do próprio partido.

O lançamento ocorre em meio à disputa pelo apoio da oposição com a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que também pretende concorrer ao comando da Casa.

Durante a reunião, o senador Carlos Portinho (PL-RJ) saiu em defesa de Tereza e lamentou críticas feitas por integrantes da direita à ex-ministra da Agricultura.

— Queria lamentar alguns posicionamentos da direita sobre a Tereza Cristina. Ela sempre esteve em todas as nossas reuniões com Rogério Marinho. É nossa aliada, afirmou Portinho.

A manifestação ocorre em meio às articulações para unificar a oposição em torno de uma candidatura capaz de enfrentar Alcolumbre. Embora Marinho e Tereza mantenham suas candidaturas, ambos afirmam que buscam um entendimento para evitar confronto direto na eleição, marcada para 1º de fevereiro.

Na terça-feira, Marinho reafirmou o compromisso de buscar uma composição com a ex-ministra.

— Eu e Tereza temos um acordo entre nós: não seremos candidatos um contra o outro, afirmou.

Tereza, por sua vez, confirmou as conversas, mas ressaltou que não pretende abrir mão da disputa neste momento.

— Eu e o Rogério Marinho conversamos muito sobre esse assunto, até porque nós somos do mesmo campo. Mas a minha candidatura está mantida e a dele também. Vamos ver mais para frente. Eu quero ser a primeira mulher presidente do Senado, disse.

Os presidentes das duas legendas que integram a federação União-PP, Antonio Rueda e Ciro Nogueira, anunciaram apoio à permanência de Alcolumbre no comando do Senado. O atual presidente também conta com o respaldo das direções de MDB, PSD e PT, mas enfrenta resistências individuais dentro dessas bancadas.