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Caso Master: Vorcaro aciona a Comissão Interamericana de Direitos Humanos

Defesa alega violações em prisão preventiva e falta de denúncia formal

Agência O Globo - 02/11/2026
Caso Master: Vorcaro aciona a Comissão Interamericana de Direitos Humanos
Caso Master: Vorcaro aciona a Comissão Interamericana de Direitos Humanos - Foto: Reprodução

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro acionou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) para denunciar o Estado Brasileiro por supostas violações aos seus direitos. Os advogados do ex-controlador do Banco Master se queixam de que ele está preso sem a apresentação de nenhuma denúncia formal nos inquéritos em que é suspeito de fraudes financeiras bilionárias, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Vorcaro está preso preventivamente desde março deste ano. Na última semana, ele foi indiciado pela Polícia Federal no caso das negociações entre o Master e o BRB.

"Até hoje não há denúncia nem ação penal. A revisão da prisão a cada 90 dias, que a lei brasileira torna obrigatória, não foi feita", diz o texto assinado por seus advogados Sergio Leonardo e Engels Muniz.

A defesa cita a crise instaurada no Supremo Tribunal Federal (STF) durante as eleições de 2026 para afirmar que o caso Master está sem um juiz definido. Nesse sentido, os advogados relatam que seu cliente tem "negado o acesso à Justiça" e não possui foro privilegiado para que os inquéritos contra ele sejam processados no Supremo.

"Por mais de um mês e meio, a presidência afirmou que o relator continuava o mesmo; o gabinete do relator informou que os atendimentos estavam suspensos; e o próprio relator, em ofício à Presidência noticiado pela imprensa, registrou que o deslocamento dos autos inviabilizava qualquer decisão sua, sem obter resposta", diz a nota.

Na última quinta-feira, o presidente do STF, Edson Fachin, determinou que o caso Master seja mantido sob sua responsabilidade pelo prazo máximo de 90 dias. O inquérito estava anteriormente sob a relatoria do ministro André Mendonça.

No pedido ao órgão internacional, os advogados reclamaram dos vazamentos do conteúdo dos celulares de Vorcaro, que estariam "sob a guarda do Estado", incluindo conversas entre os defensores e o banqueiro. Eles também citaram uma perícia contratada pela própria defesa que aponta supostas alterações nas mídias apreendidas.

"Sem sigilo entre advogado e cliente, não há direito de defesa", diz o texto, que completa: "Há sérias dúvidas sobre a licitude dos meios de obtenção da prova, bem como sobre a preservação da respectiva cadeia de custódia".

Por fim, a defesa solicitou à CIDH que um juiz "competente" avalie o pedido de liberdade "em cinco dias".

"Pede também que cessem os vazamentos, que as comunicações com advogados sejam retiradas dos autos, bem como as conversas e conteúdos privados e que os dados brutos originais da prova sejam preservados e entregues à defesa".