Poder e Governo

Ex-agente do governo israelense é investigado por ajuda a Flávio Bolsonaro na fuga para os EUA

Participação de israelense no caso foi revelada pelo Fantástico neste domingo

Agência O Globo - 02/11/2026
Ex-agente do governo israelense é investigado por ajuda a Flávio Bolsonaro na fuga para os EUA
Ex-agente do governo israelense é investigado por ajuda a Flávio Bolsonaro na fuga para os EUA - Foto: Ricardo Arduengo / AFP

As investigações sobre a fuga do ex-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) apontam que um ex-agente do Mossad, o serviço de inteligência israelense, participou da operação, conforme mostrou, neste domingo, o Fantástico.

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Menachem Booky Halevy era um dos passageiros da van que cruzou a fronteira do Brasil com a Argentina sete minutos antes da passagem do veículo que supostamente levava Flávio Bolsonaro e sua família. As duas vans pertencem à empresa brasileira Dallas Turismo.

Segundo o Fantástico, Menachem aparece em fotos ao lado de autoridades israelenses, como o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, e já havia visitado o Brasil outras três vezes este ano. A última entrada foi no dia 19 de outubro.

O outro passageiro da van era o advogado Roberto Jorge Alexandre, que já atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao Fantástico, o motorista Neri Luiz Dala Corte disse ter sido contratado para levar dois homens até o aeroporto de Puerto Iguazú e negou ter visto membros da família Bolsonaro.

O motorista brasileiro foi abordado por jornalistas argentinos no aeroporto, após ele ter deixado os dois homens no local. O repórter Nicolás Munafó, do canal de notícias C5N, disse ter visto escolta policial e veículos oficiais no entorno.

— Na frente da comitiva vinha uma caminhonete da Polícia de Segurança Aeroportuária, que é responsável pelos aeroportos da Argentina. Depois, vimos sair duas caminhonetes brasileiras, com placas do Brasil e motoristas brasileiros. E, em seguida, mais duas caminhonetes argentinas, uma delas com placa diplomática — disse ao Fantástico.

Registros da imigração argentina mostram três entradas do senador na mesma van. A primeira delas aconteceu às 22h37, quando o passaporte italiano foi usado. Há ainda registros às 22h40, com a carteira de motorista, e 23h11, com o passaporte brasileiro. As entradas com documentos brasileiros foram canceladas e apenas o ingresso com o passaporte italiano ficou válido.

Willer é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em dois inquéritos que apuram casos de lavagem de dinheiro ligados a apostas e a repasses para o filme Dark Horse, efetuados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ao Fantástico, Willer negou envolvimento na prática criminosa. Bolsonaro teria decolado em jato Cessna Citation Excel ligado ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador. Em nota ao Fantástico, Willer negou que a viagem tenha ocorrido.

A mulher de Flávio, Fernanda, e as duas filhas teriam feito outro caminho e partido de Brasília em outro avião até Cascavel, no oeste do Paraná. Às 20h02, as três embarcaram na van da Dallas Travel que cruzou a fronteira horas depois.