Poder e Governo

Aumento de ICMS sobre combustíveis gera embate entre lulistas e Tarcísio

Ministro Guilherme Boulos afirma que Tarcísio agrava a situação do diesel, enquanto governador acusa distorção.

Agência O Globo - 01/11/2026
Aumento de ICMS sobre combustíveis gera embate entre lulistas e Tarcísio
Tarcisio x Haddad - Foto: Reprodução

O aumento do ICMS sobre a gasolina, o diesel e o gás de cozinha, a partir de fevereiro de 2027, aprovado pelo Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) nesta semana, tornou-se uma nova frente de batalha nas redes sociais. O conflito envolve, de um lado, integrantes do governo Lula (PT) e seus parlamentares aliados, e, do outro, políticos próximos ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O reajuste foi aprovado por todos os estados. O maior aumento será no diesel, com alta de 11,1%, seguido pelo gás de cozinha, com 4,8%, e pela gasolina, com 4,5%. As novas alíquotas foram oficializadas em convênios na última quarta-feira (28), três dias após o segundo turno.

Nas redes sociais, o governador de São Paulo passou a ser o alvo principal do aumento tributário por aliados de Lula. Neste domingo, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos (PSOL), publicou um vídeo atacando Tarcísio, afirmando que "enquanto o governo Lula faz um esforço gigantesco para segurar o preço do diesel, Tarcísio está aumentando imposto". Parlamentares paulistas do PSOL e do PT realizaram críticas semelhantes.

— Após as eleições, as máscaras caem. Os bolsonaristas passaram a campanha inteira afirmando que a esquerda aumenta impostos. Olhem o que está acontecendo agora com o diesel. Enquanto o governo Lula investe bilhões para segurar o preço do diesel, quem está aumentando imposto e prejudicando isso? É o Tarcísio, gente. O governador decidiu aumentar em mais de 1% o imposto estadual sobre o óleo diesel. Não dá para ter um discurso na eleição e a prática ser outra, né, Tarcísio? — disse Boulos no vídeo.

O governador respondeu em nota, rebatendo as críticas do ministro, a quem acusou de usar “informações distorcidas para fazer ataques políticos”. Ele destacou que o Confaz, que aprovou o aumento, reúne os 26 estados e o Distrito Federal, e que o reajuste foi aprovado por unanimidade, “inclusive pelos estados governados pelo PT”, citando Piauí, Ceará e Bahia.

“É lamentável que um ministro de Estado distorça os fatos para fazer ataques políticos. Quem ocupa um cargo tão relevante deveria esclarecer a população, não espalhar desinformação. Enquanto São Paulo manteve sua alíquota modal de ICMS nos últimos quatro anos, estados governados pelo PT elevaram as suas. No Piauí, a alíquota chegou a 22,5%; na Bahia, a 20,5%; e no Ceará, a 20%. Em São Paulo, seguimos outro caminho: mantivemos a alíquota modal em 18%, uma das menores do país, ampliamos isenções de ICMS sobre produtos alimentícios e zeramos o IPVA para motos de até 180 cilindradas”, reafirmou Tarcísio na nota.

Boulos rebateu a nota na noite de domingo, afirmando que a concordância do Confaz sobre o aumento não altera a incoerência de Tarcísio em seu discurso de campanha.

“Ele passou meses atacando Lula a respeito de impostos e, três dias após a eleição, posicionou-se a favor do aumento do ICMS no Confaz. Está claro quem está alimentando a desinformação. Pior do que isso, agindo com hipocrisia e oportunismo político. Assuma a responsabilidade de suas posições, Tarcísio”, disse o ministro no X.

A discussão acerca do ICMS ocorre em meio a uma batalha nas redes sociais envolvendo Tarcísio, intensificada após a vitória de Lula, que gerou reações da família Bolsonaro. Tarcísio afirmou que “a eleição passou” e reconheceu a vitória de Lula. Contudo, ele tem enfrentado ataques de bolsonaristas pela discordância com Flávio Bolsonaro (PL), que não aceitou o resultado das urnas, além de admitir a possibilidade de concorrer à presidência da República em 2030, conforme declarado em uma entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo três dias após o pleito.

Embora tenha silenciado diante das críticas, Tarcísio contou com o apoio de aliados, incluindo parlamentares e secretários de partidos como PL e Republicanos, que defenderam sua lealdade à família Bolsonaro. O presidente nacional do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira, elogiou Tarcísio, afirmando que ele “é uma grande liderança” e deve promover a união da direita. O senador eleito André do Prado (PL) também postou um vídeo defendendo o governador, assim como diversos outros correligionários.

Neste domingo, após a repercussão do vídeo de Boulos, correligionários de Tarcísio refutaram as críticas. Em vídeos também republicados pelo chefe do Palácio dos Bandeirantes, os deputados estaduais Tomé Abduch (PL) e Danilo Campetti (Republicanos) ressaltaram que “todos os estados aprovaram o novo valor do ICMS”, incluindo aqueles administrados pelo PT.