Poder e Governo

Lula pede inelegibilidade de Bolsonaro por aumento do Bolsa Família às vésperas da eleição

Presidente anunciou nesta quinta-feira um reajuste de 15,04% no benefício

Agência O Globo - 17/09/2026
Lula pede inelegibilidade de Bolsonaro por aumento do Bolsa Família às vésperas da eleição
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: © telegram SputnikBrasil

Em 2022, o então candidato à Presidência Luiz Inácio da Silva solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que investigasse a gestão de Jair Bolsonaro (PL) por ter aumentado o valor dos benefícios sociais apenas três meses antes da eleição. Na ocasião, a equipe de Lula pleiteou a inelegibilidade de Bolsonaro por essa ação.

Em julho daquele ano, às vésperas do pleito, Bolsonaro propôs ao Congresso um aumento de R$ 200 no Auxílio Brasil (retomado como Bolsa Família no governo Lula), que na época era de R$ 400.

Esse aumento ocorreria por meio de um “voucher” de R$ 200, limitado a dezembro daquele ano, sem prever, no Orçamento de 2023, o custo do programa com R$ 600. O projeto, conhecido como “PEC Kamikaze”, foi aprovado e autorizou gastos adicionais fora do teto de gastos para ampliar benefícios sociais, incluindo o Auxílio Brasil, que atingiu o patamar de R$ 600.

Em agosto daquele ano, 2,2 milhões de novas famílias foram cadastradas no programa, conforme dados do Ministério da Cidadania.

A campanha de Lula alegou que Bolsonaro concedeu benefícios financeiros ilegais em período eleitoral, “com o claro intuito de angariar votos”.

Entre as medidas mencionadas na ação, estão: a antecipação da transferência do benefício do Auxílio Brasil e do Auxílio Gás; o aumento do número de famílias beneficiadas pelo Auxílio Brasil; a antecipação do pagamento de auxílio a caminhoneiros e taxistas; um programa de negociação de dívidas com a Caixa Econômica Federal; a liberação de FGTS futuro para financiar imóveis; e o anúncio de crédito para mulheres empreendedoras.

Quatro anos depois, o governo de Lula realiza um movimento semelhante ao anunciar um reajuste de 15,04% no piso do Bolsa Família a 17 dias da eleição.

O aumento do benefício foi anunciado em meio à acirrada disputa eleitoral entre Lula e Flávio Bolsonaro, do PL. Os novos valores começam a ser pagos na folha de outubro, a partir do dia 19, ou seja, o aumento do programa social será implementado entre o primeiro e o segundo turnos das eleições.

A equipe econômica assegura que a medida não impactará nas contas públicas, e que o aumento dos gastos do programa será viabilizado pela redução da fila de pedidos de benefício no INSS.

Com o reajuste de 15,04%, o valor mínimo do programa passará de R$ 600 para R$ 691. O custo total será de R$ 5,8 bilhões neste ano e R$ 22,7 bilhões até 2027.