Poder e Governo
Alvo de operação policial, Milton Leite anuncia apresentação às autoridades em 24 horas e nega acusações
Ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo disse ao GLOBO que está viajando e que não era dono da Transwolf: 'Não tenho nada a ver com PCC'
O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil), negou ser dono da Transwolf, empresa de ônibus supostamente vinculada ao crime organizado, e afirmou que se apresentará às autoridades em até 24 horas. A operação mira o controle financeiro e operacional do Primeiro Comando da Capital (PCC) sobre 12 empresas de ônibus, além de indícios de fraudes sistemáticas em licitações.
Em entrevista ao GLOBO, Leite declarou, por telefone, que está "viajando" e que ficou "surpreendido" com o mandado de prisão, o qual foi recebido por sua advogada. Ele não revelou a cidade onde se encontra.
— Nego veementemente qualquer acusação. Não sou dono da empresa, apenas tinha uma relação próxima a ela. Não tenho nada a ver com o PCC e nunca encontrei esse pessoal em minha vida. Não havia sido intimado a depor e fui surpreendido com o mandado de prisão. Minha advogada está em São Paulo e recebeu a intimação. Não estou em São Paulo, estou realmente viajando e não vou informar a cidade para não virem me buscar. Preciso de 24 horas para organizar minha defesa — comentou.
A operação deflagrada na quinta-feira, pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), cumpre 16 mandados de prisão e outros 18 de busca e apreensão. A ação também investiga a chamada "sintonia dos gravatas", um núcleo de advogados suspeito de atuar diretamente nos crimes e na legitimação dos interesses da organização criminosa. De acordo com as investigações, a facção teria criado um "núcleo político" destinado a acessar recursos públicos e expandir seus negócios, utilizando estratégias que incluem o apoio e financiamento de candidaturas alinhadas aos seus interesses.
Um dos políticos mais influentes da política paulistana, Milton Leite foi vereador por sete mandatos e presidiu a Câmara Municipal em quatro ocasiões. No ano passado, após o término de seu último mandato, decidiu não concorrer mais a cargos eletivos.
No entanto, isso não significa sua saída do cenário político, uma vez que ele continua presidindo o diretório municipal do União Brasil em São Paulo e o diretório estadual da Federação União Progressista (UP), que reúne os partidos União Brasil e Progressistas (PP). Seu filho, Alexandre Leite, é deputado federal e candidato a deputado estadual, enquanto seu outro filho, Milton Leite Filho, também tenta se eleger deputado federal.
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