Poder e Governo
Com delação de empresário, o que falta esclarecer sobre caso 'Dark Horse' em quatro pontos
Questões como origem de recursos, natureza do fundo Havengate e pormenores de investimentos seguem em aberto
A Procuradoria-Geral da República (PGR) investiga o operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, dono da Entre Investimentos e Participações. Esta empresa foi utilizada para repasses de dinheiro entre o banqueiro e a produção de “Dark Horse”, o filme sobre a trajetória política do ex-presidente.
Dark Horse:
Vorcaro:
Questões como a origem dos recursos repassados pelo fundo Havengate, a própria natureza do fundo e os pormenores dos investimentos estão entre as questões ainda em aberto sobre o caso, que podem começar a ser esclarecidos na colaboração. Veja, em quatro pontos, o que falta esclarecer no caso “Dark Horse”:
1. Qual é a origem dos recursos repassados pelo fundo Havengate, sediado nos EUA, para “Dark Horse”?
A perícia privada contratada pela produtora GoUp, responsável pelo filme, não fez o mapeamento, conforme mostrou O GLOBO. A auditoria é considerada fundamental pela Polícia Federal para esclarecer se houve desvio no projeto negociado entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master. O perito Anisio Castelo Branco disse que analisou apenas os recursos desembolsados pela GoUp.
2. Por que o dinheiro para a produção foi enviado para um fundo no Texas?
O agente legal do Havengate é o advogado Paulo Calixto, que atua para o deputado cassado Eduardo Bolsonaro. Flávio afirmou que o fundo seria “específico para a produção do filme”. A Polícia Federal investiga, contudo, se os recursos também podem ter financiado a permanência de Eduardo nos Estados Unidos. Apesar de o fundo ser americano, o filme sobre Jair Bolsonaro foi produzido e filmado no Brasil.
3. Quem assinou o contrato?
Flávio afirmou que Vorcaro “tinha um contrato” e que o banqueiro deixou de pagar parcelas previstas para o filme. O deputado e produtor executivo Mario Frias, porém, afirmou que o contrato não foi firmado com Vorcaro nem com o Master, mas com a Entre Investimentos, descrita por ele como uma “pessoa jurídica distinta”. As declarações deixaram em aberto quem eram as partes do contrato, quem assinou o documento e qual estrutura jurídica foi usada para formalizar os aportes.
4. O filme recebeu recursos de emendas parlamentares?
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu uma apuração preliminar sobre emendas destinadas por deputados bolsonaristas a uma ONG ligada à sócia da produtora responsável pelo longa. Segundo o STF, deputados do PL destinaram R$ 2,6 milhões em emendas Pix, em 2024, à entidade presidida pela sócia da GoUp. O objetivo é analisar se houve descumprimento das exigências de transparência e rastreabilidade para esse tipo de repasse.
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