Poder e Governo
Sobrinho do patrono da Beija-Flor e substituto de Chiquinho Brazão: quem é Ricardo Abrão, alvo da PF
Deputado federal e candidato à reeleição é alvo de operação por suspeita de compra de voto, em desdobramento de apuração que levou à prisão de 24 pessoas em 2024
Deputado federal e candidato à reeleição na Câmara, Ricardo Abrão (PSDB) é alvo da Polícia Federal nesta quinta-feira, nas eleições municipais de 2024. Ele é alvo de mandado de busca e apreensão domiciliar e pessoal.
Eleições 2026:
Filho de Farid Abrão David, que foi prefeito de Nilópolis três vezes e presidente da escola de samba Beija-Flor, Ricardo Abrão assumiu o mandato de deputado federal em abril do ano passado após a cassação de Chiquinho Brazão — este último, condenado em fevereiro como um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes em 2018.
Ricardo assumiu a cadeira por ser, à época, o primeiro suplente do União Brasil, ao qual era filiado. Ele já havia atuado na Câmara quando a deputada Daniela Carneiro, que estava no União, se licenciou para comandar o Ministério do Turismo, no início da atual gestão federal.
Advogado, ele foi deputado estadual no Rio de Janeiro duas vezes e também presidiu a escola de samba, de 2017 a 2021.
Ricardo Abrão, que tenta a reeleição para a Câmara dos Deputados pelo PSDB, já recebeu R$ 480 mil da Direção Nacional do partido para financiar sua campanha. Até o momento, o repasse do diretório nacional corresponde a 100% dos recursos recebidos pela candidatura.
A ação desta quinta é um desdobramento de uma investigação iniciada em outubro de 2024, que resultou na prisão em flagrante de 24 pessoas e, em fevereiro de 2025, no cumprimento de mandados judiciais na Operação Astreia.
Deflagrada pela Polícia Federal em fevereiro de 2025, a Operação Astreia investiga uma suposta organização criminosa que teria atuado nas eleições municipais de Nilópolis, em 2024, com suspeitas de compra de votos, fraude à cota de gênero, apropriação de recursos do financiamento eleitoral e lavagem de dinheiro.
Entre os alvos estava o prefeito Abraão Davi Neto, o Abraãozinho (PL), primo do deputado federal Ricardo Abrão e sobrinho do contraventor Aniz Abraão David, o Anísio, presidente de honra da Beija-Flor. Na casa do prefeito, a PF apreendeu R$ 172 mil em espécie, além de celulares, mídias e documentos.
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