Poder e Governo
Caiado promete modernizar SUS com filas por gravidade e prontuário digital
Durante apresentação de seu plano de governo para a saúde, candidato criticou negacionismo, mas evitou citar nominalmente Bolsonaro ao comentar sobre o tema
O candidato à presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, apresentou nesta terça-feira (18), na sede do partido, em São Paulo, seu plano de governo para a área da saúde. A proposta combina a redução das filas do SUS, a digitalização do atendimento e a prevenção de doenças. Médico, Caiado voltou a lembrar sua atuação durante a pandemia e criticou o negacionismo na área, embora tenha evitado citar nominalmente o ex-presidente Jair Bolsonaro ao ser questionado sobre a queda da confiança nas vacinas.
Entre as principais propostas do candidato estão: organizar as filas do SUS pela gravidade dos pacientes, ao invés da ordem de chegada; integrar os sistemas de regulação de estados e municípios; e criar um prontuário digital acessível ao paciente em diferentes pontos. Caiado também propõe um painel nacional para medir a eficiência do SUS, o uso de inteligência artificial no atendimento e repasses condicionados a metas de transparência e gestão.
O candidato citou o recente surto de sarampo em São Paulo como exemplo da necessidade de reforçar a prevenção e a capacidade de resposta do sistema de saúde. Ele defendeu uma campanha para recuperar a confiança da população na carteira de vacinação.
— Enquanto o governante não assume essa discussão, prevalecem as teses mais malucas do mundo — afirmou.
Quando questionado sobre a queda da confiança nas vacinas, no entanto, ele preferiu não atribuir o fenômeno diretamente ao governo Bolsonaro. Em vez disso, afirmou ser preciso ter “respeito com as setecentas mil pessoas que morreram” de Covid-19, defendendo que a política de saúde seja orientada pela ciência.
Caiado defendeu a criação de parâmetros nacionais para medir a qualidade dos hospitais, além de um painel de eficiência do SUS. Ele também criticou o que chamou de uso “criminal” e ideológico do teto MAC, mecanismo que define os recursos federais destinados a procedimentos de média e alta complexidade. Durante a apresentação, acusou ainda o governo Lula de realizar repasses diferentes a estados e municípios conforme o alinhamento político.
Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde durante o governo Bolsonaro, participou da elaboração do plano. Questionado sobre a possibilidade de indicar Mandetta para o Ministério da Saúde em um eventual governo, Caiado não confirmou o nome.
Após o evento, o candidato voltou a se posicionar contra a polarização entre Lula e o campo bolsonarista. Perguntado sobre quem apoiaria em uma eventual segunda rodada entre Lula e Flávio Bolsonaro, afirmou que sua trajetória de oposição ao PT e a Lula não mudaria.
— Nunca fui um político que tenha jogado, que sempre foi oposição ao Lula e ao PT. E, como tal, não seria agora — concluiu.
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