Poder e Governo
Republicanos deve anunciar Cleitinho fora da disputa em Minas, e prepara acordo com PL de Flávio para apoiar Marcelo Aro ao governo
Senador lidera pesquisas, mas avaliação na legenda é que ele é instável e pode fazer ataques a integrantes da sigla durante a campanha
Os Republicanos decidiram não lançar o senador como candidato a governador de Minas Gerais. Após meses de indefinições, o parlamentar sinalizou ontem que deseja entrar na disputa, mas o partido reviu a posição e deve anunciar nesta quarta-feira que vai apoiar Marcelo Aro (PP), ex-secretário da Casa Civil de Minas, como candidato a governador.
Na noite de terça-feira, enquanto Cleitinho se manifestava, Aro esteve em uma reunião com o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro , e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do presidenciável. O presidente do PL em Minas Gerais, Zé Vitor , também esteve presente e o presidente nacional dos Republicanos, Marcos Pereira , participou de uma parte da conversa por telefone.
No encontro, foi avançado um acordo para que o PP lance Aro como candidato com o apoio do PL e dos Republicanos. Inicialmente, Marcelo Aro seria candidato a senador na chapa do governador Matheus Simões (PSD), mas recuou após a entrada do senador Carlos Viana (PSD) na chapa como candidato à reeleição.
Pelo cenário traçado, os Republicanos deverão indicar um vice de Aro, que pode ser o ex-prefeito de Divinópolis Gleidson Azevedo , irmão de Cleitinho, ou o ex-prefeito de Patos de Minas Luís Eduardo Falcão .
O PL quer indicar o deputado Domingos Sávio para uma das vagas ao Senado e a outra vaga pode ser indicado também pelos Republicanos ou pelo PSDB , que teria Aécio Neves como candidato.
O senador Cleitinho foi procurado, mas não retornou aos contatos da reportagem.
A avaliação dentro dos Republicanos é que, apesar de liderança isolada nas pesquisas, Cleitinho é um político considerado assustador e que seria melhor disputar com Marcelo Aro, que ainda precisa crescer eleitoralmente, mas que não tem o perfil de fazer ataques à classe política. Há um temor que Cleitinho faça críticas na campanha aos próprios integrantes dos Republicanos.
Há uma reclamação dentro do partido sobre a forma como o senador tem tratado a candidatura a governador. Há um entendimento de que Cleitinho criou empecilhos para depois usar um discurso de que não conseguiu entrar na disputa porque o sistema político foi contra ele.
Procurado, o presidente dos Republicanos evitou adiantar a posição do partido, mas reforçou uma insatisfação com o senador.
— A instabilidade dele gera instabilidade e insegurança para muita gente. Para o povo mineiro, que merece respeito e tem o direito de saber a verdade sobre o seu futuro, o futuro do povo, e para os candidatos dos vários partidos que pretendiam o desejo de apoiar a sua candidatura – declarou. — Ele sempre foi o candidato de todos. Do Republicanos, do PL, do PP-União, do Podemos, mas nunca foi candidato de si mesmo – também disse o presidente do partido.
Cleitinho, que lidera as pesquisas, tem dado sinais trocados desde o fim do ano passado se vai concorrer ou não ao cargo. O cenário se agravou depois da morte do irmão Matheus Azevedo , no último dia 18 de julho.
Inicialmente, o partido tinha a expectativa de que ele anunciasse uma decisão até os dados da convenção estadual de Minas Gerais, que aconteceu no último sábado, mas não houve definição.
No domingo, um dia depois do evento, Cleitinho invejou uma carta ao presidente nacional dos Republicanos, Marcos Pereira, em que disse que não desistiu de ser candidato a governador e declarou que não se manifestou publicamente por conta do luto pela morte do irmão.
Em resposta, Pereira prestou solidariedade pela morte do irmão do senador, mas evitou falar sobre a candidatura a governador e disse que a decisão cabe ao diretório dos Republicanos em Minas Gerais.
De acordo com aliados do presidente nacional do partido, Cleitinho tentou negociar com Marcos Pereira e ele respondeu que aceitaria ter o senador como candidato se os dois gravassem um vídeo em que isso seria comunicado publicamente.
A ideia era que isso fosse feito até segunda-feira, mas o senador disse que não conseguiria ir para São Paulo gravar o vídeo.
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