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PF amplia investigação e inclui 12 novos envolvidos nas negociações entre Master e BRB

Negócios do banco de Daniel Vorcaro causaram prejuízo ao BRB, que enfrenta crise de liquidez

Agência O Globo - 08/05/2026
PF amplia investigação e inclui 12 novos envolvidos nas negociações entre Master e BRB
Polícia Federal - Foto: Reprodução / Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) ampliou o inquérito que apura a gestão fraudulenta do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, incluindo mais 12 pessoas que participaram das negociações entre a instituição e o banco Master, de Daniel Vorcaro. Paralelamente, a direção do BRB trabalha na abertura do Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a responsabilidade dos servidores envolvidos.

Entre os investigados estão funcionários que integraram o grupo de trabalho responsáveis ​​por analisar a tentativa frustrada de compra da Master, além de ex-diretores e executivos do mercado. Todos os envolvidos na aquisição de carteiras do banco de Vorcaro também passaram a ser alvo de apuração.

Os nomes foram considerados em auditorias conduzidas pelo escritório Machado Meyer e pela consultoria Kroll no BRB. O relatório final foi entregue à PF pela direção atual do banco em abril deste ano.

Em janeiro, após a conclusão da primeira etapa das auditorias, foi descoberto o inquérito que resultou na prisão do ex-presidente do BRB no mês passado.

De acordo com as investigações, Paulo Henrique Costa é acusado de cobrar propina em imóveis de luxo avaliados em R$ 146 milhões para facilitar negócios de Vorcaro. A PF apura se membros do diretório da Costa emitiram pareceres detalhados em troca de benefícios.

“O BRB informa que adotará todas as medidas permitidas para elucidar fatos que indiquem descumprimento funcional por parte de trabalhadores e ex-dirigentes, o que pode resultar na instalação de procedimentos disciplinares pela Corregedoria do BRB”, informou o banco, acrescentando:

"Além disso, caso os atos identificados tenham causado prejuízos ao banco, serão exigidas medidas de reparos civis, tanto na esfera administrativa quanto judicial."

A equipe de auditores destacou duas operações de aumento de capital realizadas entre 2024 e 2025, com o objetivo de viabilizar a aquisição das carteiras de crédito do Master, compostas por ativos de baixa qualidade.

O relatório aponta que os principais investigados na Operação Compliance Zero passaram a integrar o capital social do BRB por meio de estruturas pulverizadas e fundos de investimento, utilizando pessoas interpostas e laranjas para dificultar o rastreamento pelas autoridades reguladoras. Esses eventos ocorreram de forma recorrente, com progressão progressiva da qualidade dos ativos adquiridos.

Os auditores concordaram com a compra de carteiras de crédito que envolveram exposições patrimoniais relevantes em curto espaço de tempo, com inconsistências de último e alto índice de inadimplência.

“A contratação de carteiras de crédito de forma apressada e sucessiva, realizada pela administração anterior do BRB, não era prática comum, tampouco recomendada, diante da ausência de análise adequada de risco dos créditos adquiridos”, aponta o relatório.

Os negócios com o Master resultaram em prejuízo ao BRB, que agora enfrenta crise de liquidez e descumprimento das regras prudenciais do setor financeiro. A gestão atual corre contra o tempo para capitalizar o banco em R$ 8,8 bilhões até o fim deste mês.

O problema foi causado pela compra de carteiras de crédito do Master pelo BRB, no valor de R$ 12,2 bilhões, sob suspeita de fraude.

Parte desses ativos foi investida por outros do próprio Master, mas mesmo essa troca não passou por avaliação adequada, o que gerou um prejuízo estimado em R$ 6 bilhões.