Poder e Governo

Após rejeição de Messias, Lula avalia mudar critério para escolha de ministro do STF

Presidente deve ampliar o leque de opções para a próxima indicação ao Supremo

Agência O Globo - 06/05/2026
Após rejeição de Messias, Lula avalia mudar critério para escolha de ministro do STF
Jorge Messias - Foto: Reprodução / Instagram

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva considera mudar os principais atrativos que vinha adotando para indicar ministros ao Supremo Tribunal Federal (STF) em seu terceiro mandato. Segundo aliados, Lula está disposto a escolher um nome que não seja rotulado como amigo pessoal ou de relação próxima. Após a rejeição de Jorge Messias pelo plenário do Senado, na última quarta-feira, o presidente deverá analisar um leque mais amplo de opções, sem necessariamente optar por alguém de seu círculo mais próximo.

Até agora, as três ordens de Lula ao STF foram baseadas em proximidade e confiança: Cristiano Zanin, seu advogado na Lava-Jato; Flávio Dino, então ministro da Justiça; e Jorge Messias, advogado-geral da União. Todos eram nomes com quem Lula mantinha convivência e que eram considerados leais ao presidente.

Diferentemente dos dois primeiros mandatos, quando recebeu sugestões de auxiliares e conselheiros jurídicos, Lula passou a tratar a escolha de ministros do Supremo como um assunto pessoal e intransferível.

O presidente reiterou diversas vezes que não se deixaria influenciar ou cederia a pressão, mantendo a prerrogativa de ter a palavra final sobre a indicação. Agora, embora mantenha essa postura, Lula deve ampliar o rol de nomes a serem considerados, buscando evitar dificuldades de aprovação no Senado, como ocorreu com Messias.

De acordo com pessoas próximas, Lula pode considerar nomes com quem não tenha relação direta, mas cuja trajetória conheça, que tenha boas referências e ligação com o campo progressista.

Como resumiu um interlocutor, Lula está disposto a mudar o método para alcançar o mesmo objetivo: garantir um nome de sua escolha no STF. A possibilidade de indicar uma mulher, defendida por setores da esquerda, também está em análise, embora até o momento nenhum nome tenha conquistado a preferência do presidente.

Lula não pretende deixar de enviar um novo nome ao Congresso para evitar a impressão de que a decisão final ficou nas mãos do Senado, que rejeitou Messias com apenas 34 votos declarados, enquanto eram necessários ao menos 41. Nesta segunda-feira, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou em São Paulo que Lula já está definindo uma nova indicação:

— Eu acho que o presidente Lula está definindo a sua nova indicação — destacou Alckmin.

Segundo aliados, ainda não há nomes favoritos à mesa. Nesta semana, Lula está focado na preparação para a viagem aos Estados Unidos, onde encontrará o presidente Donald Trump na quinta-feira, na Casa Branca.

Após o retorno, o presidente deverá intensificar as conversas sobre o tema. Os auxiliares alegam que Jorge Messias dificilmente será reapresentado como indicado, o que, segundo o entorno do presidente, seria interpretado como uma declaração de guerra ao Congresso. Lula não deseja apertar a tensão com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), mas pretende manter a prerrogativa de escolher o novo nome.