Poder e Governo

Direita define chapa em SP com Ramuth, André do Prado e Eduardo Bolsonaro de suplente; esquerda ainda enfrenta impasses

Haddad ainda não definiu o vice e há indefinição sobre a segunda vaga ao Senado entre Marina Silva e Márcio França

Agência O Globo - 05/05/2026
Direita define chapa em SP com Ramuth, André do Prado e Eduardo Bolsonaro de suplente; esquerda ainda enfrenta impasses
Felício Ramuth (PSD) - Foto: Reprodução / Instagram

Chapa da direita definida

Com a confirmação de Felício Ramuth (PSD) como vice, a chapa da direita para o governo de São Paulo está definida. O deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) será um dos nomes ao Senado, enquanto André do Prado (PL) será o outro candidato. Eduardo Bolsonaro (PL) deve ocupar a suplência de Prado.

Impasse na esquerda

Do outro lado, a esquerda ainda enfrenta indefinições. Fernando Haddad (PT) não definiu quem será seu vice e há disputa pelas vagas ao Senado. Além de Haddad como pré-candidato ao governo estadual, a ex-ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB) é o nome mais consolidado para o Senado. Já a segunda vaga está entre Marina Silva (Rede) e Márcio França (PSB), ambos ex-ministros do governo Lula (PT).

Vice de Haddad ainda indefinido

Para a vice de Haddad, a escolha é ainda mais incerta. O petista busca um nome de centro, ligado ao agronegócio ou ao empresariado, capaz de atrair votos do interior paulista, onde a esquerda tradicionalmente enfrenta resistência.

Haddad já fez convites, mas ouviu negativas. Um dos nomes procurados foi Teresa Vendramini, a "Teca", pecuarista filiada ao PDT e ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), que recusou o convite, mas aliados ainda tentam convencê-la. Outro nome citado nos bastidores é Marcelo Barbieri, ex-prefeito de Araraquara e também do PDT.

Senado: indefinições e alternativas

Entre os cotados para o Senado, tanto Marina quanto França também poderiam ser vice de Haddad, mas a decisão final será do próprio ex-ministro da Fazenda. Haddad afirma que ainda é cedo para definir e considera ter um "bom problema", já que todos os cotados são opções viáveis.

Definição da direita

Na direita, a definição da chapa ocorreu nesta terça-feira (5), quando o governador Tarcísio de Freitas confirmou Ramuth como vice e André do Prado como candidato ao Senado.

— Está fechada (a chapa). O Felício é o nosso pré-candidato a vice-governador, um pré-candidato ao Senado é o Derrite, e o outro é o André do Prado — declarou o governador.

Nos bastidores, a candidatura de Prado era dada como certa e dependia apenas do aval de Eduardo Bolsonaro, que era o principal cotado ao Senado pelo PL, mas, após se mudar para os Estados Unidos e perder o mandato, decidiu indicar outro nome do partido. Eduardo será suplente de Prado e poderá assumir em caso de inelegibilidade, cassação, morte ou afastamento do titular — como, por exemplo, se o titular assumir uma secretaria de Estado ou ministério.

Questionamentos jurídicos

A candidatura de Eduardo Bolsonaro como suplente pode levantar questionamentos jurídicos. Seu mandato foi declarado vago por ato administrativo da Câmara dos Deputados, com base no artigo 55 da Constituição, devido ao acúmulo de faltas em sessões deliberativas.

Segundo a decisão, o deputado perdeu o cargo “por ter deixado de comparecer, na presente sessão legislativa, à terça parte das sessões deliberativas”, o que autoriza a cassação automática. Trata-se de sanção interna do Legislativo, que não implica, por si só, a suspensão ou perda dos direitos políticos.

Por outro lado, Eduardo também é investigado por suspeita de tentar coagir o Poder Judiciário e articular, nos Estados Unidos, sanções contra autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal.