Poder e Governo

Com Alckmin confirmado como vice, Lula define palanque em SP e pode ter Tebet e Marina ao Senado na chapa de Haddad

Márcio França ainda busca vaga na chapa de Lula ao Senado em São Paulo, mas pode assumir o MDIC

Agência O Globo - 31/03/2026
Com Alckmin confirmado como vice, Lula define palanque em SP e pode ter Tebet e Marina ao Senado na chapa de Haddad
Geraldo Alckmin e Lula - Foto: Reprodução

A confirmação de que Geraldo Alckmin permanecerá como vice-presidente na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva, anunciada durante reunião ministerial nesta terça-feira, afunila as definições sobre o palanque do petista para as eleições em São Paulo.

Com Alckmin fora da disputa estadual, a tendência é que Lula conte com Fernando Haddad (PT) como candidato ao governo paulista e as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) concorrendo ao Senado. Resta ainda a definição do nome para vice-governador, cargo que pode ser ocupado pelo ministro do Empreendedorismo, Márcio França.

Alckmin, que deixará o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), chegou a ter sua vaga de vice ameaçada, já que o PT cogitou usar o posto como moeda para atrair o MDB.

O presidente Lula avaliou que Alckmin poderia ser mais estratégico como candidato ao Senado em São Paulo, fortalecendo seu palanque no estado. No entanto, o plano esbarrou na resistência do ex-tucano em disputar eleições paulistas e na falta de consenso dentro do MDB para uma aliança formal com o PT.

Integrantes da ala governista do MDB já sinalizavam, desde dezembro de 2025, o interesse de ocupar a vice. Entre os nomes cogitados estavam os ministros Renan Filho (Transportes) e Simone Tebet (Planejamento), além do governador do Pará, Helder Barbalho.

O próprio Lula chegou a dar declarações públicas que colocavam em dúvida a permanência de Alckmin na vice-presidência.

— Nós temos muito voto em São Paulo e temos condições de ganhar as eleições em São Paulo. Eu ainda não conversei com o Haddad, ainda não conversei com o Alckmin, mas eles sabem que têm um papel para cumprir em São Paulo. Eles sabem — afirmou Lula em entrevista ao portal UOL em fevereiro.

Nas últimas semanas, porém, o cenário se consolidou. Lula convenceu o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a se lançar candidato ao governo paulista. A pedido de Lula, Tebet deixou o MDB e se filiou ao PSB de Alckmin para disputar uma vaga ao Senado por São Paulo, transferindo seu domicílio eleitoral. A ministra já foi senadora pelo Mato Grosso do Sul.

A segunda vaga da chapa de Lula ao Senado em São Paulo ainda está em aberto. Uma ala do PT defende a candidatura da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), mas o posto também é reivindicado pelo ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB).

O impasse ocorre porque, embora o PSB deseje as duas vagas ao Senado, o PT precisa contemplar outros aliados prováveis, como PSOL, Rede, PV e PC do B.

Enquanto não há definição, um plano B para França seria permanecer no governo federal, assumindo a pasta atualmente sob comando de Alckmin. Aliados de França, contudo, argumentam que, após abrir mão de disputar o governo paulista em favor de Haddad e com o PSB acolhendo Tebet, seria natural que a outra vaga na chapa ao Senado fosse destinada a ele.