Poder e Governo

Vaga ao Senado em chapa de Lula gera disputa entre ex-petista, ministro e partidos

Ainda indefinido, apoio de Lula é cobiçado por ex-membro do partido, ministro do Republicanos e diferentes lideranças do Centrão. Escolha passa por negociação de palanque duplo para o presidente com Campos e Lyra

Agência O Globo - 08/02/2026
Vaga ao Senado em chapa de Lula gera disputa entre ex-petista, ministro e partidos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: Ricardo Stuckert/PR

A indefinição em torno da chapa apoiada pelo presidente Luiz Inácio da Silva (PT) ao Senado em Pernambuco opõe a ex-petista (Solidariedade), o ministro de Portos e Aeroportos, (Republicanos), e lideranças do Centrão no estado, como Miguel Coelho (União Brasil) e Eduardo da Fonte (PP). A única definição dentro do diretório estadual da sigla é a candidatura à reeleição do senador Humberto Costa (PT), enquanto a escolha de quem assumirá a segunda vaga permanece em negociação.

Preparação para disputa eleitoral:

Palanques do PL:

Nos bastidores, há o entendimento de que o caminho natural no estado é que Lula apoie o prefeito do Recife, (PSB), na disputa ao governo e, por consequência, debata a segunda vaga da chapa com o aliado. Petistas admitem, no entanto, que discussões com o PSD nacional sobre a possibilidade de apoio à reeleição de Lula podem embaralhar a eleição em Pernambuco. A atual governadora, , filiou-se à legenda de no ano passado, motivando uma ala do partido de Lula a defender a existência de um palanque duplo para o presidente.

Interlocutores de Campos afirmam que ele mantém boa relação tanto com Marília, sua prima, quanto com Sílvio Costa Filho e Coelho — este último preside o diretório estadual do União Brasil. A escolha de um nome à direita seria a consequência de uma sinalização já existente de que o atual prefeito deseja dialogar com a federação formada entre União e PP, como forma de facilitar a governabilidade no estado caso eleito. Há, no entanto, resistência no PT ao nome de Coelho por considerá-lo alinhado ao bolsonarismo.

Coelho reconhece a aliados que votou no ex-presidente (PL) em 2022, mas pondera que está junto a Campos desde o ano seguinte e não teria dificuldade em dialogar com o PT. O dirigente do União Brasil também foi prefeito de Petrolina e é visto nos bastidores como um nome que pode trazer votos ao pessebista no interior.

Pesquisa é entrave

Por outro lado, a primeira pesquisa Datafolha no estado este ano, divulgada anteontem, dificulta a costura de Campos com a direita. Os dados mostram a ex-deputada Marília Arraes com liderança consolidada em todos os cenários testados, variando entre 36% e 41% das intenções de voto. Alinhada à esquerda desde a juventude, ela aparece à frente inclusive de Humberto Costa, que pontua entre 24% e 26%.

Rival política de Lyra, Marília deixou o PT em 2022 em meio a disputas internas. Ela anunciou a pré-candidatura ao Senado em outubro do ano passado, em evento com a presença de Campos. Mas, para aliados do prefeito, a permanência dela em um partido de menor capilaridade pode atrapalhar as tratativas. Por isso, políticos locais apostam que a ex-petista optará por uma candidatura “avulsa”, o que é rechaçado por ela.

— Eu e João disputamos projetos antagônicos durante muito tempo e convergimos quando houve a necessidade de combater o bolsonarismo. Nos apoiamos nas eleições de 2022 e 2024. Sou a única mulher cotada para compor a chapa dele, que vai disputar contra uma governadora e uma vice, e estou liderando todas as pesquisas. Qual é a razão, então, para que eu ou qualquer pessoa cogite que eu vá ser uma candidata avulsa? — diz Marília, que destaca estar confiante de que estará na chapa lulista.

A ex-deputada chegou a ser procurada por outras siglas, como o PDT, para disputar o Senado. Interlocutores relatam que a condição estabelecida por ela para uma eventual filiação é a de que o novo partido não tenha um candidato próprio ao governo estadual, uma vez que o apoio a Lula e Campos é interpretado como inegociável para Marília.

O ministro Silvio Costa Filho, por sua vez, é um nome bem-visto tanto pelo PT quanto por Campos, sendo enxergado como leal a Lula. O principal desafio para consolidar sua candidatura está na baixa performance em pesquisas eleitorais até aqui. No Datafolha, ele aparece com pontuação entre 10% e 13%, abaixo de outros nomes da direita, como Coelho e Fonte, que variam entre 18% e 22%.

— Em Pernambuco estarei ao lado de Humberto Costa para disputar as eleições para o Senado. E naturalmente os partidos estão fazendo as suas discussões internas, mas tanto o caminho do Republicanos quanto o caminho do PT hoje são na direção de um apoio à candidatura de João Campos — desconversou o ministro quando questionado pelo GLOBO sobre a possibilidade de disputar o Senado.

‘Peso político’

Em cenário no qual um nome da federação entre o União e o PP integre a chapa apoiada por Lula, petistas demonstram preferência por Eduardo da Fonte. Um entrave para a composição lulista com o deputado é sua proximidade com Lyra, o que desagrada a ala de Campos no estado.

A presidência petista em Pernambuco afirma que o segundo nome da chapa lulista deve ser de um partido de centro, mas aguarda um posicionamento do presidente sobre quem será o nome apoiado por ele ao governo para o aprofundamento das negociações.

— De todo modo, tanto Campos quanto Lyra gostariam de ter um nome da federação União-Progressista na chapa, pelo peso político muito grande destes partidos no estado — ressalta Carlos Veras, presidente estadual do PT.

Já Humberto Costa confirma sua candidatura à reeleição na Casa e ressalta que a prioridade da sigla neste ano é a reeleição de Lula e a vitória do maior número possível de senadores no Nordeste.

— Queremos um segundo nome para a chapa que apoie a candidatura de Lula e se comprometa a ser base do governo caso ele seja eleito — diz o senador. (Colaboraram Victoria Azevedo e Jeniffer Gularte)