Poder e Governo
Lula discute soberania da Venezuela e Canal do Panamá em conversa com presidente panamenho
Telefonema marca sétima conversa internacional de Lula sobre a crise venezuelana em uma semana
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone, nesta quinta-feira, com o presidente do Panamá, José Raúl Mulino. No diálogo, os líderes abordaram a situação da Venezuela após a intervenção militar americana de 3 de janeiro, que resultou na captura do então ditador Nicolás Maduro e colocou a vice Delcy Rodríguez no comando do país.
Segundo o Palácio do Planalto, ambos reiteraram a importância de preservar a paz e a estabilidade na América Latina e no Caribe. Também concordaram sobre a necessidade de fortalecer a Organização das Nações Unidas, defender o direito internacional e promover o diálogo entre as nações.
O telefonema com Mulino é o sétimo de Lula com chefes de Estado e governo desde a semana passada, todos com a crise venezuelana na pauta. Nos últimos dias, Lula manteve contato com os presidentes Gustavo Petro (Colômbia), Claudia Sheinbaum (México), Pedro Sánchez (Espanha), Vladimir Putin (Rússia), além dos primeiros-ministros Mark Carney (Canadá) e Luís Montenegro (Portugal).
Lula e Mulino também trataram dos preparativos para a visita oficial do presidente brasileiro ao Panamá, onde participará da abertura do Foro Econômico Internacional da América Latina e Caribe, organizado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF), em 28 de janeiro.
De acordo com nota do Planalto, Lula realizará reunião bilateral com Mulino para discutir temas como comércio, investimentos e cooperação, em meio à recente adesão do Panamá como estado associado ao Mercosul.
José Raúl Mulino foi eleito em 2024 pelo partido de direita Realizando Metas, fundado pelo ex-presidente Ricardo Martinelli (2010-2014). Ele já havia se encontrado com Lula em julho de 2025, durante a posse do brasileiro na presidência do Mercosul, e também em visita oficial ao Brasil em agosto do ano anterior.
Durante o encontro de agosto, Lula destacou que o comércio internacional tem sido usado como "instrumento de coerção e chantagem", numa referência indireta à política tarifária dos Estados Unidos. O presidente brasileiro também defendeu a soberania panamenha sobre o canal, frequentemente alvo de declarações polêmicas do ex-presidente americano Donald Trump, que chegou a insinuar que o canal pertenceria aos EUA.
Nessa ocasião, Lula anunciou a compra de quatro aviões Super Tucano da Embraer pelo Panamá e reafirmou o apoio do Brasil ao tratado que garante a neutralidade do Canal do Panamá.
— Reafirmamos o compromisso com o multilateralismo, o desenvolvimento sustentável e a integração regional. Isso é particularmente relevante em um dos momentos mais críticos da história da região. A tentativa de restaurar antigas hegemonias coloca em risco a liberdade e a autodeterminação dos nossos povos. As ameaças de ingerências pressionam instituições democráticas e comprometem a construção de um continente integrado, desenvolvido e autônomo. O comércio internacional é utilizado como instrumento de coerção e chantagem — afirmou Lula ao lado de Mulino.
Lula informou ainda que iniciou o processo para adesão do Brasil a um protocolo do Tratado Relativo à Neutralidade Permanente e ao Funcionamento do Canal do Panamá, de 1977, do qual o país ainda não era signatário. O tratado assegura que a hidrovia permaneça aberta a todas as nações, independentemente de conflitos ou disputas políticas. A adesão brasileira seria uma resposta ao discurso de Trump sobre o canal e dependeria de aprovação do Congresso Nacional.
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