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Europeus reagem aos EUA por alegação de que enfrentam um "apagamento civilizacional".

Emma Burrows e Geir Moulson, Associated Press 15/02/2026
Europeus reagem aos EUA por alegação de que enfrentam um 'apagamento civilizacional'.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, discursa durante a Conferência de Segurança de Munique, em Munique, Alemanha, no domingo, 15 de fevereiro de 2026 - Foto: AP/Michael Probst

MUNIQUE (AP) — Um alto funcionário da União Europeia rejeitou no domingo a ideia de que a Europa enfrenta um "apagamento civilizacional", rebatendo as críticas feitas ao continente pelo governo Trump.

A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, discursou na Conferência de Segurança de Munique um dia depois de o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ter transmitido uma mensagem um tanto tranquilizadora aos aliados europeus. Ele adotou um tom menos agressivo do que o vice-presidente JD Vance, que discursou no mesmo evento no ano passado, mas manteve-se firme quanto à intenção de Washington de reformular a aliança transatlântica e impulsionar suas prioridades políticas.

Kallas fez alusão às críticas presentes na estratégia de segurança nacional dos EUA , divulgada em dezembro, que afirmava que a estagnação econômica na Europa “é ofuscada pela perspectiva real e mais sombria do apagamento da civilização”. A estratégia sugeria que a Europa está sendo enfraquecida por suas políticas de imigração, pelas taxas de natalidade em declínio, pela “censura à liberdade de expressão e supressão da oposição política” e por uma “perda de identidades nacionais e autoconfiança”

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, faz um sinal de positivo ao deixar o Aeroporto Internacional de Munique, na Alemanha, no domingo, 15 de fevereiro de 2026, após participar da Conferência de Segurança de Munique. (Foto AP/Alex Brandon, Pool)

“Ao contrário do que alguns possam dizer, a Europa progressista e decadente não está enfrentando um apagamento civilizacional”, disse Kallas na conferência. “Na verdade, as pessoas ainda querem se juntar ao nosso clube, e não apenas outros europeus”, acrescentou, dizendo que, durante uma visita ao Canadá no ano passado, foi informada de que muitas pessoas lá têm interesse em ingressar na UE.

Kallas rejeitou o que chamou de "ataques aos europeus".

“Nós estamos, sabe, impulsionando a humanidade para frente, tentando defender os direitos humanos e tudo isso, o que na verdade também traz prosperidade para as pessoas. É por isso que é muito difícil para mim acreditar nessas acusações.”

Em seu discurso na conferência, Rubio afirmou que o fim da era transatlântica “não é nosso objetivo nem nosso desejo”, acrescentando que “nossa casa pode estar no hemisfério ocidental, mas sempre seremos filhos da Europa”.

Ele deixou claro que o governo Trump está mantendo sua posição em questões como migração, comércio e clima. E as autoridades europeias que discursaram no encontro deixaram claro que, por sua vez, defenderão seus valores, incluindo sua abordagem em relação à liberdade de expressão, às mudanças climáticas e ao livre comércio.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou no sábado que a Europa deve defender "as sociedades vibrantes, livres e diversas que representamos, mostrando que pessoas com aparências diferentes podem viver juntas em paz, e que isso não contraria o espírito da nossa época".

"Na verdade, é isso que nos torna fortes", disse ele.

Kallas afirmou que o discurso de Rubio transmitiu uma mensagem importante de que os Estados Unidos e a Europa estão e continuarão interligados.

“Também é evidente que não concordamos em todos os assuntos e isso continuará sendo assim, mas acho que podemos trabalhar a partir daí”, disse ela.