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WhatsApp afirma que a Rússia tentou bloquear completamente o aplicativo de mensagens

Associated Press 12/02/2026
WhatsApp afirma que a Rússia tentou bloquear completamente o aplicativo de mensagens
ARQUIVO - Um ícone do WhatsApp é exibido em um iPhone, em 15 de novembro de 2018, em Gelsenkirchen, Alemanha - Foto: AP/Martin Meissner, Arquivo

A Rússia tentou bloquear completamente o WhatsApp no ​​país, afirmou a empresa, em mais uma ação de um esforço contínuo do governo para reforçar o controle sobre a internet .

Um porta-voz do WhatsApp afirmou na noite de quarta-feira que a ação das autoridades russas tinha como objetivo "direcionar os usuários para um aplicativo de vigilância estatal", uma referência ao próprio aplicativo de mensagens estatal russo MAX, considerado por críticos como uma ferramenta de vigilância.

“Tentar isolar mais de 100 milhões de pessoas da comunicação privada e segura é um retrocesso e só pode levar a menos segurança para as pessoas na Rússia”, disse o porta-voz do WhatsApp. “Continuamos fazendo tudo o que podemos para manter as pessoas conectadas.

Pessoas olham para seus smartphones em um ponto de ônibus em São Petersburgo, Rússia, quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026. (Foto AP/Dmitri Lovetsky)

O governo russo já bloqueou as principais redes sociais, como Twitter, Facebook e Instagram, e intensificou outras restrições online desde a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia em 2022.

De acordo com a agência de notícias estatal Tass, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Meta Platforms, proprietária do WhatsApp, deve cumprir a legislação russa para que o aplicativo seja desbloqueado.

No início desta semana, a agência reguladora de comunicações russa Roskomnadzor anunciou que introduzirá novas restrições ao aplicativo de mensagens Telegram, acusando-o de descumprir a lei. A medida gerou críticas generalizadas de blogueiros militares, que alertaram que o Telegram é amplamente utilizado pelas tropas russas que lutam na Ucrânia e que a limitação de sua velocidade prejudicaria as comunicações militares.

Apesar do anúncio, o Telegram tem funcionado praticamente sem interrupções. Alguns especialistas afirmam que ele é um alvo mais difícil, em comparação com o WhatsApp. Alguns especialistas russos disseram que bloquear o WhatsApp liberaria recursos tecnológicos e permitiria que as autoridades se concentrassem totalmente no Telegram, seu alvo prioritário

Uma jovem olha para seu smartphone enquanto está no metrô de Moscou, na quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026. (Foto AP/Alexander Zemlianichenko)

As autoridades já haviam restringido o acesso ao WhatsApp antes de finalmente o proibirem na quarta-feira.

Sob a presidência de Vladimir Putin, as autoridades têm se empenhado em esforços deliberados e multifacetados para controlar a internet. Adotaram leis restritivas e proibiram sites e plataformas que não as cumprem, além de se concentrarem em aprimorar a tecnologia para monitorar e manipular o tráfego online.

As autoridades russas têm limitado o acesso ao YouTube e intensificado sistematicamente as restrições contra plataformas populares de mensagens, bloqueando o Signal e o Viber e proibindo chamadas online no WhatsApp e no Telegram. Em dezembro, impuseram restrições ao serviço de videochamadas da Apple, o FaceTime.

Uma mulher olha para seu smartphone em um ponto de ônibus em São Petersburgo, Rússia, quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026. (Foto AP/Dmitri Lovetsky)

Embora ainda seja possível contornar algumas das restrições usando serviços de rede privada virtual (VPN), muitos deles também são bloqueados rotineiramente.

Ao mesmo tempo, as autoridades promoveram ativamente o aplicativo de mensagens “nacional” chamado MAX, que, segundo críticos, poderia ser usado para vigilância. A plataforma, divulgada por desenvolvedores e autoridades como um serviço completo para mensagens, serviços governamentais online, pagamentos e muito mais, declara abertamente que compartilhará dados do usuário com as autoridades mediante solicitação. Especialistas também afirmam que o aplicativo não utiliza criptografia de ponta a ponta.

Passageiros consultam seus smartphones no metrô de Moscou, na quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026. (Foto AP/Alexander Zemlianichenko)