Mundo Tech
Embaixador do LinkedIn aponta características essenciais para a era da inteligência artificial
Sankar Venkatraman destacou fluência, agência e criatividade em palestra na SP2B
Na era da inteligência artificial (IA), os trabalhadores precisam desenvolver três características à medida que a tecnologia avança e altera o mercado: fluência , agência e criatividade . O alerta é de Sankar Venkatraman, embaixador global do LinkedIn.
Nesta terça-feira (dia 11), o executivo usou dados da plataforma para mostrar a importância dos três elementos na palestra na São Paulo Beyond Business (SP2B), conferência de tecnologia e inovação que ocorre na capital paulista até domingo (dia 16).
A fluência refere-se à capacidade de ser excelente naquilo que se propõe a fazer e à busca constante por requalificação. Isso envolve o desenvolvimento tanto de "core skills" (antigamente chamadas de soft skills), como liderança, gestão de pessoas e de tempo, quanto de habilidades específicas de IA, como saber delegar tarefas para máquinas e dominar a engenharia imediata (a capacidade de dar comandos para IAs).
Ser fluente implica estabelecer-se como uma autoridade em sua área. Isso é vital porque modelos de linguagem (LLMs) utilizam plataformas como o LinkedIn como fonte de dados; portanto, ter uma presença ativa e técnica ajuda a garantir que sua expertise seja reconhecida pelo ecossistema de IA.
Já a agência , que pode ser entendida como autonomia, é definida pelo indiano como a liberdade para criar, o senso de propriedade e o espírito empreendedor. Segundo ele, é uma característica muito forte das novas gerações.
— A agência é algo que está realmente se tornando algo integrado e adotado pela geração Z e, ainda mais, pela população mais jovem, pessoas na faixa etária de 15 a 19 anos — afirmou ele.
Essa característica é impulsionada pela percepção de que, conforme as máquinas se tornam melhores em tarefas técnicas, a capacidade humana de agir com iniciativa e criatividade torna-se o grande diferencial. Segundo ele, para quem ocupa cargos de liderança, exercer a agência significa usar a própria voz para influenciar o mercado de trabalho.
Por fim, ele destacou a criatividade , descrita como um traço "verdedeiramente humano". Ou seja, nenhuma máquina cria algo sem que o cérebro humano determine o que precisa ser feito.
— As máquinas são excelentes e previsíveis, capazes de repetir tarefas em grande escala. Isso significa que o valor humano se destaca nas tarefas que desativam contexto, colaboração, comunicação, liderança — todos os elementos humanos que as máquinas não realizam — afirmou ele.
Venkatraman afirma que essas três características podem aparecer em quatro grupos de habilidades. A primeira são habilidades cognitivas , como pensamento crítico, flexibilidade mental, destreza mental e comunicação. Tudo isso é importante para que o profissional se adapte rapidamente a novas ferramentas e contextos, além de fornecer o pensamento crítico necessário para o processo criativo.
Outro grupo é self-leadership (autoliderança, em tradução literal), o que inclui autoconsciência, curiosidade, paixão pelo aprendizado contínuo e mentalidade empreendedora. O terceiro grupo é habilidades interpessoais , como empatia, inteligência emocional e capacidade de compartilhar trabalho e experiências. O quarto grupo é habilidades digitais , o que inclui entender o funcionamento da IA, saber como delegar tarefas para agentes de IA e discernir o que é confiável.
Brasil na plataforma
O embaixador do LinkedIn também revelou informações sobre o Brasil na plataforma. Segundo ele, o país atingiu a marca de 100 milhões de usuários recentemente. Ele afirmou que o país não está no “ponto ideal” da força de trabalho global devido à sua demografia jovem e criativa. Em termos de penetração de habilidades de IA, o Brasil ocupa a 6ª posição no ranking mundial nos últimos 10 anos.
Ele mostrou também que os brasileiros são otimistas em relação à tecnologia: 56% concordam que a IA é positiva para a sociedade, um contraste marcante com as nações industrializadas ocidentais que se mostram mais céticas. No Canadá, esse número é de 34%, enquanto na Alemanha é de 37%.
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