Internacional
Irã cobra cumprimento de acordo pelos EUA e promete reciprocidade
Presidente iraniano fez raro aceno a Trump e disse que Teerã prioriza diplomacia
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta terça-feira (1º) que o país está disposto a retomar imediatamente seus compromissos previstos no acordo firmado em junho, que buscava encerrar a guerra com os Estados Unidos, caso o governo norte-americano faça o mesmo.
"Se os Estados Unidos voltarem a cumprir os compromissos assumidos no Memorando de Entendimento, faremos o mesmo imediatamente", declarou ele durante a cúpula da Organização para Cooperação de Xangai (OCX), em Bishkek, no Quirguistão.
O líder iraniano criticou a postura de Washington e afirmou que o compromisso americano com o acordo firmado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, durou "não mais que duas semanas".
Pezeshkian também disse que o Irã possui uma longa trajetória de cumprimento de compromissos e acordos internacionais.
Segundo ele, a experiência recente e as repetidas violações, por parte dos Estados Unidos, dos compromissos assumidos no âmbito do Memorando de Entendimento de Islamabad demonstram as dificuldades para manter uma solução diplomática quando não existem garantias de implementação.
"Mesmo quando as partes chegam a uma estrutura política para interromper conflitos e iniciar negociações, a falta de garantias para uma implementação efetiva — combinada com o retorno a uma política de pressão e ameaças — pode levar ao fracasso da via diplomática", afirmou.
Em outro discurso durante a cúpula da OCX, de acordo com a agência iraniana IRNA, Pezeshkian reforçou que Teerã continua considerando a diplomacia como o principal caminho para resolver disputas.
"O Irã não começou a guerra. Ele se defendeu", declarou, acrescentando que o país permanece comprometido com negociações e com a busca de soluções diplomáticas.
Pezeshkian, porém, condicionou a possibilidade de uma paz duradoura ao cumprimento dos acordos e à redução das tensões. "A diplomacia desprovida de boa-fé, de respeito aos compromissos e de contenção no uso da força não pode criar uma paz duradoura", concluiu.
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