Internacional

Itália recorda 82 anos de massacre nazifascista e alerta para novas guerras

'Conquistas civis não estão asseguradas', disse o presidente Sergio Mattarella

Redação ANSA 12/08/2026
Itália recorda 82 anos de massacre nazifascista e alerta para novas guerras
Ministro Antonio Tajani participa de cerimônia em Sant 'Anna di Stazzema - Foto: ANSA

Itália recorda nesta quarta-feira (12) o aniversário de 82 anos de um dos piores e mais sangrentos massacres nazistas no país durante a Segunda Guerra Mundial.

No dia 12 de agosto de 1944, soldados alemães e colaboracionistas das forças fascistas italianas mataram cerca de 560 pessoas, incluindo 130 crianças, em Sant'Anna di Stazzema, vilarejo na Toscana que havia sido declarado pelos nazistas como área para receber deslocados pelo conflito.

Segundo processo conduzido pela Justiça Militar da Itália depois da guerra, o objetivo era aniquilar qualquer desejo de resistência por parte da população e romper possíveis conexões entre civis e grupos partisans que atuavam na zona.

Em mensagem pelo aniversário do massacre, o presidente italiano, Sergio Mattarella, declarou que a lembrança "não é apenas um ato de responsabilidade, mas também de libertação".

"A vitória sobre o nazifascismo abriu caminho para o renascimento.

Cada geração deve compreender que lhe cabe a tarefa de fortalecer e defender as conquistas civis, que não estão asseguradas de uma vez por todas. Seus fundamentos éticos e as razões para o compromisso devem ser renovados e reforçados", acrescentou o chefe de Estado.

Mattarella também alertou que "as guerras voltaram a lançar sombras sobre os nossos dias" e que "as ambições de dominação estão ressurgindo sob formas inéditas".

"Testemunhos e consciências capazes de transmitir experiências e valores são mais preciosos do que nunca. Eles são capazes de rejeitar a violência, o ódio e o desrespeito ao pluralismo e à identidade individual", destacou o presidente.

Já o vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, visitou Sant'Anna di Stazzema e declarou que o massacre deve servir como uma "advertência para o futuro".

"O sacrifício dessas pessoas, incluindo bebês recém-nascidos, não pode ser em vão; ele tem de servir para construir a paz. A Europa nos presenteou com 80 anos de paz, mas nada é dado como certo, porque o germe da violência, das ditaduras e das guerras está sempre à espreita", disse o chanceler.