Internacional
Presidente da Itália alerta para tentativa de 'demolir' multilateralismo
Mattarella também recordou que país europeu é resultado de 'muitas migrações'
O presidente da Itália, Sergio Mattarella, lamentou nesta terça-feira (2) o que classificou como uma tentativa de desmontar o multilateralismo para promover um retorno à "barbárie" nas relações internacionais.
Durante um diálogo com jovens, o mandatário defendeu que o multilateralismo é indispensável para a Itália e avaliou que o mundo mudou profundamente nas últimas décadas, com o surgimento de novos atores e de países que se tornaram referências econômicas, culturais e sociais.
"No que diz respeito ao multilateralismo, há alguns anos tenta-se demolir, eliminar e descartar o sistema multilateral e o direito internacional, substituindo-os pelo critério das relações de poder. Trata-se de uma grave inversão da história, como se quisessem fazer as relações internacionais regressarem à barbárie", afirmou Mattarella.
"Para defendê-lo e fazê-lo prevalecer, é preciso atualizá-lo. O mundo mudou drasticamente nas últimas décadas, e o multilateralismo não se adaptou a essas novas condições. Para defendê-lo de forma eficaz, esse sistema precisa ser renovado", acrescentou.
Mattarella também abordou a questão da imigração e recordou que os italianos contribuíram para o desenvolvimento de diversas nações da Europa e das Américas, incluindo Brasil e Argentina.
"Estamos familiarizados com o fenômeno da imigração, que não é novo nem passageiro. Em última análise, ele também faz parte da nossa história. Da migração armada dos lombardos, que deram nome à Lombardia, à chegada pacífica dos albaneses ao sul da Itália após mil anos, além das inúmeras migrações individuais ao longo do tempo, o nosso povo é resultado de múltiplas contribuições", declarou.
Ao comentar o avanço da inteligência artificial, o presidente italiano demonstrou preocupação com a concentração do setor nas mãos de um número reduzido de empresas.
"Há uma complicação preocupante. As ferramentas e esse setor estão concentrados em pouquíssimas mãos. Trata-se de uma situação inaceitável, porque são entidades que rejeitam regras e controles", concluiu.
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