Internacional
Venezuela liberta 11 jornalistas mantidos como presos políticos
Outros 24 ainda seguem detidos, diz sindicato de imprensa
A Venezuela libertou nesta quarta-feira (14) 11 jornalistas locais, em meio à campanha do governo interino de soltar presos políticos.
O anúncio foi feito pelo Sindicato Nacional dos Profissionais de Imprensa (Sntp), que confirmou que outros 24 ainda seguem detidos.
O sindicato reiterou que tais prisões "não estavam relacionadas a atividades criminosas comprovadas, mas sim, à prática do jornalismo independente, à divulgação de opiniões críticas ou ao ativismo político de jornalistas".
De acordo com o governo chavista, os profissionais de mídia libertados foram acusados em sua maioria de conspiração, incitamento ao ódio e publicações de notícias falsas. O mais jovem tem 35 anos e o mais velho, 79.
O mais famoso entre eles é Roland Carreño, apresentador de TV e coordenador do partido de oposição Vontade Popular. Ele foi detido poucos dias após as eleições presidenciais de julho de 2024, estando no cárcere de El Rodeo I desde 2 de agosto daquele ano.
Outro libertado foi o repórter Ramón Centeno, preso em 2 de fevereiro de 2022 enquanto realizava uma apuração sobre o narcotráfico. O governo o acusou de conspiração e tráfico de influência.
A dupla Leandro Palmar e Belises Cubillán, repórter e repórter cinematográfico, respectivamente, foi detida em 9 de janeiro de 2025, quando fazia a cobertura dos protestos em Maracaibo convocadas pela líder da oposição, María Corina Machado, na véspera da posse do terceiro mandato presidencial de Nicolás Maduro. Eles foram acusados de incitamento ao ódio e perturbação da ordem pública, sendo enviados ao presídio de Tocorón, um dos piores da Venezuela.
O jornalista mais jovem libertado nesta quarta, Carlos Marcano, de 35 anos, foi enviado para a prisão em 23 de maio de 2025.
O mais velho, Rafael García Márvez, de 79 anos, é presidente da Associação dos Editores do Estado de Carabobo e editor de El Nacional. Ele estava preso desde 22 de julho de 2025.
Na noite de ontem, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou que mais de 400 pessoas foram libertadas das prisões do país nas últimas semanas como parte de um processo que o governo apresenta como um gesto de "paz" e promoção da "convivência civil".
Porém o irmão da presidente interina Delcy Rodríguez não divulgou um cronograma detalhado ou uma lista oficial com os nomes dos ex-detentos, levando organizações de direitos humanos a contestarem a versão oficial.
Entre os novos libertados, ao menos quatro são norte-americanos, informou um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, que classificou a medida como "um passo importante na direção certa".
Na segunda-feira (12), Caracas libertou dois italianos, o trabalhador humanitário Alberto Trentini e o empresário Mario Burlò, após mais de 14 meses detidos no país sul-americano sem acusações formais.
Dados da ONG Foro Penal apontam que existem cerca de 800 presos políticos na Venezuela, dos quais 116 teriam sido libertados desde a captura do ex-presidente Maduro em 3 de janeiro pelos americanos.
Já o Observatório Venezuelano de Prisioneiros fala na soltura de apenas 80 pessoas no mesmo período, sendo 66 venezuelanos e 16 estrangeiros.
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