Internacional
Ditadura argentina: Ex-oficial julgado na Itália por assassinatos e desaparecimentos pede para ser processado por tribunal militar
Carlos Luis Malatto teve extradição negada por questões técnicas; ele foi encontrado em 2019, após anos de mandado de prisão em aberto, em um condomínio de luxo na Sicília
O ex-oficial Carlos Malatto, processado por um tribunal penal em Roma pelo assassinato e desaparecimento de oito opositores durante a ditadura cívico-militar na Argentina, exigiu nesta segunda-feira ser julgado pela justiça militar italiana.
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Durante uma audiência preliminar no tribunal de Roma, onde esteve presente, os advogados do antigo tenente-coronel de 74 anos argumentaram que Malatto sempre agiu como soldado contra organizações "terroristas".
Após a audiência, Malatto foi liberado enquanto aguarda um possível julgamento.
A promotoria rejeita o pedido dos advogados, pois considera que os crimes pelos quais ele é acusado são de caráter político, e não militar.
O juiz das audiências preliminares se pronunciará sobre essa questão no próximo dia 4 de novembro. Em seguida, dependendo da decisão, estipulará no dia 2 de dezembro se ele deverá comparecer a um tribunal civil.
"Malatto diz que participou de uma guerra contra terroristas e exigiu ser julgado por um tribunal militar. Mas durante aqueles anos, houve 30 civis desaparecidos [em San Juan] e nenhum soldado morto", disse à AFP Jorge Ithurburu, advogado na Itália da associação de vítimas 24marzo.
Malatto é acusado de ter "sequestrado, torturado e assassinado" oito pessoas na Argentina, entre março de 1976 e novembro de 1978, segundo a acusação da promotoria italiana de outubro de 2023.
As vítimas são Juan Carlos Cámpora, Jorge Alberto Bonil, Ángel Alberto Carvajal, Daniel Rodolfo Russo, Armando Leroux, Marta Saroff de Leroux, Florentino Arias e a franco-argentina Marie-Anne Erize.
Erize foi sequestrada em 24 de outubro de 1976, quando tinha 24 anos, por soldados à paisana em San Juan e nunca foi encontrada.
Embora tenha vivido por um tempo em Paris, onde conheceu o cantor Georges Moustaki e o guitarrista Paco de Lucía, Erize decidiu voltar à Argentina e se comprometer politicamente com os Montoneros, uma guerrilha que optou pela luta armada.
Malatto, que também tem cidadania italiana, fugiu da Argentina para evitar ser processado por acusações de sequestro, tortura e desaparecimento.
A Argentina solicitou sua extradição, mas esse pedido foi negado.
Malatto liderava em San Juan o "estado-maior operacional" de um regimento conhecido como RIM-22 e, como tal, era um alto funcionário responsável pela "luta contra a subversão" na região, segundo o pedido de extradição apresentado pela justiça argentina.
O regulamento militar argentino da época lhe conferia "uma responsabilidade preponderante em todos os aspectos relacionados às pessoas sob controle militar direto, tanto amigos quanto inimigos, militares e civis".
A ditadura argentina durou sete anos (1976-1983) e estima-se que cerca de 30.000 pessoas morreram ou desapareceram, segundo organizações de direitos humanos.
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