Internacional
Uma pessoa morre em protesto contra reeleição de Maduro na Venezuela
Manifestações começaram nesta segunda-feira, após autoridade eleitoral venezuelana proclamar Maduro vencedor das eleições
Uma pessoa morreu em um dos protestos que eclodiram nesta segunda-feira na Venezuela contra a questionada reeleição do presidente Nicolás Maduro, informou a ONG Foro Penal, especializada na defesa de presos políticos.
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Leia também: María Corina diz ter 'provas' de que oposição obteve 73% dos votos e convoca novas manifestações
"Com pelo menos uma pessoa assassinada no [estado de] Yaracuy e 46 pessoas detidas por eventos pós-eleitorais", escreveu Alfredo Romero, diretor da organização, na rede social X.
A autoridade eleitoral venezuelana proclamou oficialmente, nesta segunda-feira, o presidente Nicolás Maduro vencedor das eleições de domingo, cujo resultado não foi reconhecido pela oposição e foi questionado por vários países, incluindo o Brasil, devido à falta de transparência do processo. No poder desde 2013, o líder chavista ocupará a Presidência pela terceira vez consecutiva.
Durante os protestos, manifestantes derrubaram uma estátua em homenagem a seu antecessor, Hugo Chávez, na avenida Shema Saher de Coro, no estado de Falcón. Centenas de pessoas foram às ruas ou fizeram panelaços em suas janelas contra a reeleição anunciada nas primeiras horas desta segunda-feira pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), ligado ao chavismo, num resultado contestado pela oposição e por grande parte da comunidade internacional.
Com apenas 80% dos boletins das urnas verificados, o CNE declarou a vitória de Maduro por 51% dos votos, contra 44% de González na madrugada desta segunda-feira. No entanto, na primeira coletiva da coalizão opositora após o resultado, María Corina denunciou fraude no pleito e anunciou o diplomata como novo presidente da Venezuela. Segundo ela, o opositor venceu o atual mandatário por 70% votos.
— Hoje queremos dizer a todos os venezuelanos e ao mundo inteiro que a Venezuela tem um novo presidente eleito: Edmundo González. Ganhamos e todo o mundo sabe — disse María Corina, defendendo a vitória do seu grupo político a partir dos resultados de quatro contagens "autônomas" e da análise de 44% das atas das urnas entregues até então. — Neste momento temos 44% das atas, todas as que foram transmitidas nós temos, e todas essas informações coincidem: Edmundo recebeu 70% dos votos e Maduro, 30%.
Manifestantes tomam as ruas
Os protestos começaram já pela manhã, se espalhando por várias partes do país ao longo do dia. Os manifestantes — em sua maioria jovens — queimaram pôsteres com o rosto de Maduro que promoviam sua candidatura, carregando bandeiras, panelas e instrumentos para acompanhar os gritos de protesto.
— Que ele entregue o poder agora! — exclamaram.
Em Catia, um setor popular da capital, houve os protestos foram vigiados de perto pela polícia e pela tropa de choque da Guarda Nacional.
— Fechamos nossos negócios e começamos a protestar, nos sentimos decepcionados, isso não reflete a realidade, votamos contra Nicolás — disse Carolina Rojas, uma lojista de 21 anos, com raiva.
No centro de Caracas, vários comerciantes preferiram manter seus negócios fechados.
— Minha família ficou chorando em casa — descreveu o dono de uma venda de comida rápida com a grade de segurança do local aberta pela metade.
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