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Ao menos 450 pessoas foram mortas em instalações da ONU durante guerra em Gaza, diz agência

Segundo a agência da ONU para refugiados palestinos, todas as coordenadas geográficas de seus prédios foram compartilhadas com Israel e as outras partes envolvidas no conflito

Agência O Globo - GLOBO 06/06/2024
Ao menos 450 pessoas foram mortas em instalações da ONU durante guerra em Gaza, diz agência

Após o ataque israelense desta quinta-feira contra uma escola das Nações Unidas transformada em abrigo — o mais recente contra complexos da ONU em Gaza que acolhem deslocados —, a agência da ONU para refugiados palestinos (UNRWA) afirmou que ao menos 450 pessoas foram mortas dentro de instalações da organização desde o início da guerra, em outubro. Questionado pelo New York Times, o Exército israelense não comentou a informação. Segundo o jornal americano, o número não pôde se confirmado de forma independente.

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Cerca de 6 mil palestinos estavam na escola da UNRWA em Gaza nesta quinta-feira, disse a agência da ONU. Eles provavelmente esperavam que o prédio — pintado com o conhecido azul e branco da ONU — lhes proporcionasse um mínimo de proteção contra uma intensa ofensiva militar israelense.

No entanto, caças israelenses bombardearam o complexo, atingindo o prédio sul e matando pelo menos 35 pessoas, de acordo com as Nações Unidas. Os militares israelenses disseram que entre 20 e 30 militantes afiliados ao Hamas e à Jihad Islâmica Palestina haviam se escondido no local.

— Eles estão usando essas instalações porque se sentem relativamente seguros nelas — disse Peter Lerner, porta-voz militar israelense, aos repórteres após o ataque. — Eles entendem que somos cautelosos e cuidadosos perto das instalações da ONU.

As forças israelenses atacaram o mesmo complexo em Nuseirat há apenas três semanas, matando pelo menos seis pessoas e ferindo outras, de acordo com a UNRWA. Os militares israelenses disseram ter matado pelo menos 15 combatentes, incluindo 10 membros do Hamas, em um ataque a uma “sala de guerra” usada por comandantes militantes no complexo.

Antes da guerra, a UNRWA administrava uma escola para meninos no complexo. A agência diz que compartilhou as coordenadas de todas as suas instalações — incluindo a que foi alvo na quinta-feira — com Israel e “outras partes do conflito” para que não sejam atingidas.

“Atacar, visar ou usar edifícios da ONU para fins militares é um flagrante desrespeito ao Direito Internacional Humanitário”, escreveu Philippe Lazzarini, chefe da UNRWA, nas mídias sociais. Ele chamou as acusações de Israel de “chocantes” e disse que a agência não tinha condições de verificá-las.

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Basem Naim, um porta-voz do Hamas, não respondeu diretamente às perguntas enviadas por mensagem de texto sobre se os membros do grupo usavam as instalações da ONU para fins militares. Mas ele argumentou que os ataques que visaram abrigos e mataram civis violaram a lei internacional “mesmo que haja um único combatente entre eles”.

O ataque mortal é parte de um longo embate entre Israel e as Nações Unidas, especialmente a UNRWA.

Israel fez campanha para isolar a agência da ONU, alegando que centenas de funcionários da UNRWA são membros de grupos terroristas palestinos. As autoridades israelenses também afirmaram que pelo menos 12 funcionários da agência participaram do ataque terrorista a Israel liderado pelo Hamas em 7 de outubro ou de suas consequências. Pelo menos 17 países, incluindo os Estados Unidos, suspenderam o financiamento à agência em resposta, e a UNRWA demitiu vários dos funcionários que Israel disse estarem envolvidos no ataque.

Posteriormente, uma análise da ONU constatou que Israel não havia apresentado nenhuma evidência para apoiar sua alegação de que centenas de funcionários da UNRWA eram afiliados a grupos terroristas. Muitos países, inclusive os Estados Unidos, renovaram seu apoio à agência.

Em fevereiro, os militares israelenses levaram um jornalista do New York Times por um túnel construído pelo Hamas em Gaza até um centro de comunicações subterrâneo que, segundo eles, ficava diretamente abaixo da sede da UNRWA em Gaza. Os militares alegaram que o túnel consumia eletricidade do complexo da UNRWA acima.

Lazzarini disse na época que a UNRWA “não sabia o que havia embaixo de sua sede em Gaza” e afirmou que deveria haver uma investigação independente sobre o assunto. Ele acrescentou que a UNRWA já havia apresentado queixas ao Hamas e a Israel sempre que uma “cavidade suspeita” era encontrada perto dos prédios da agência.

Em meados de abril, a UNRWA afirmou em um relatório que militares israelenses haviam cometido a maioria dos “ataques e ações” que danificaram ou prejudicaram suas instalações, mas que grupos armados palestinos também haviam sido responsáveis por alguns deles.