Internacional
Campanha contra abuso sexual infantil aborda pela primeira vez casos de incesto na França
Segundo a Comissão Independente sobre Incesto e Violências Sexuais contra Crianças (Ciivise, na sigla em francês), a cada três minutos uma criança é abusada sexualmente no país
A cada três minutos, uma criança é abusada sexualmente na França. O alerta é feito pela campanha lançada nesta terça-feira pela Comissão Independente sobre Incesto e Violências Sexuais contra Crianças (Ciivise, na sigla em francês). Além de ser a primeira iniciativa sobre o tema em 21 anos, a campanha aborda pela primeira vez a violência cometida contra menores no entre pessoas com parentesco — o incesto.
A iniciativa busca jogar luz sobre o abuso infantil por meio de anúncios que serão veiculados nas redes sociais, nas salas de cinema e em outdoors. Um anúncio também será veiculado durante a transmissão do jogo entre França e Namíbia, pela Copa do Mundo de Rúgbi, em 21 de setembro.
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— É a primeira vez que um governo usa a palavra 'incesto' em uma campanha, a primeira vez que fala dessa violência sexual dentro da família — disse a secretária de Estado da Infância francesa, Charlotte Caubel, à AFP.
Apesar de o país registrar cerca de 160 mil crianças vítimas de violência sexual por ano, segundo especialistas citados pela agência francesa, a última campanha governamental que abordava o abuso foi em 2002. De lá para cá, as denúncias contra o crime avançaram, incluindo as praticadas por familiares.
O incesto na França — relações sexuais entre uma pessoa e seu parente de sangue direto, como pai, mãe, irmãos e avós — não é crime. Contudo, segundo o jornal Le Monde, abusos cometidos contra menores recebem penas maiores, agravadas em casos incestuosos.
— Um em cada dez adultos sofreu incesto, segundo as associações — informou a secretária.
Desde 2021, o Ciivise investiga o alcance do abuso sexual de criança por familiares. Em dois anos de trabalho, a comissão aponta que recebeu cerca de 25 mil testemunhos sobre o caso. Um relatório final será publicado em 20 novembro deste ano.
Como a comissão foi criada em março de 2021 pela Secretaria de Estado da Família e Proteção por um período de dois anos, a fim de formular as recomendações para proteção contra a violência e proteção das crianças, mais de 60 personalidades se manifestaram pedindo ao governo francês para que mantivesse a organização.
— É fundamental que, por meio dessa campanha, o governo diga: 'O incesto existe' e 'é um problema público, e não privado' — destacou Edouard Durand, copresidente da Ciivise, à AFP.
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O alerta para abuso sexual contra menores ganhou repercussão em 2021 através do livro “La Familia Grande”, de Camille Kouchner. Na obra, a autora relata os abusos cometidos contra seu irmão gêmeo, na época adolescente, por seu padrasto, o cientista político e ex-presidente da Fundação Nacional de Ciências Políticas, Olivier Duhamel.
No início de setembro deste ano, a temática ganhou uma nova camada quando a atriz Emmanuelle Béart, que atuou em Missão Impossível (1996), revelou que foi vítima de uma violência sexual incestuosa na infância. No documentário "Un silêncio si bruyant" ("Um silêncio tão retumbante", em português), citado pelo jornal Le Monde, quatro vítimas de incesto, entre elas Béart, contam seus depoimentos. A atriz não menciona quem foi o seu agressor.
As violências serám abordadas ainda em outros livros e obras cinematográficas programadas para serem transmitidas nos próximos meses na França.
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