Internacional

Presidente da Câmara pede abertura de processo de impeachment contra Biden após pressão de radicais republicanos

Ação ocorre no momento em que Kevin McCarthy sofre ameaça de deposição por alguns deputados insatisfeitos da ala de extrema direita de seu partido

Agência O Globo - GLOBO 12/09/2023

O presidente da Câmara dos Estados Unidos, Kevin McCarthy, orientou nesta terça-feira os republicanos do Congresso a abrirem um processo de impeachment contra o presidente democrata Joe Biden, superando as divisões do Partido Republicano enquanto trabalha para apaziguar os parlamentares de extrema direita que ameaçaram destituí-lo em meio a uma luta acirrada sobre gastos.

Filho do presidente: Hunter Biden se declarará culpado de contravenções fiscais e admitirá que mentiu sobre uso de drogas ao comprar arma

Briga de influência: Biden visita Vietnã, ex-inimigo dos EUA, para reforçar frente contra a China

McCarthy disse que incumbiria três comissões — Supervisão, Judiciário e Formas e Meios – de conduzir a investigação sobre o presidente e sua família enquanto os republicanos buscam evidências de irregularidades financeiras ou corrupção.

— Hoje estou instruindo nossas comissões da Câmara a abrirem um processo formal de impeachment do presidente Joe Biden — disse McCarthy aos repórteres reunidos em frente ao seu escritório no Capitólio.

McCarthy sinalizou durante semanas que apoia um processo de impeachment do presidente para dar aos investigadores do Congresso mais poder para investigar as finanças da família de Biden. Iniciar tal processo significa que os republicanos já não têm de justificar a sua investigação como parte do seu trabalho legislativo, disseram os aliados de McCarthy.

'Estava muito ocupado': Trump se defende da acusação de manipulação indevida de documentos sigilosos em entrevista à Fox News

A decisão desta terça-feira representa uma ruptura com o passado e uma grande mudança de estratégia para McCarthy, que anteriormente indicou acreditar que o plenário da Câmara deveria votar sobre a possibilidade de avançar com um processo de impeachment. Isso porque os dois processos de impeachment presidencial na História moderna — de Bill Clinton em 1998 e Donald Trump em 2019 — foram abertos dessa forma. A Câmara posteriormente moveu um segundo impeachment contra Trump em 2021, poucos dias após o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio.

A aparente decisão de não realizar uma votação foi um reconhecimento tácito de McCarthy de que lhe faltam números para fazê-lo em meio às divisões do Partido Republicano. Vários republicanos, incluindo aqueles dos distritos vencidos por Biden, indicaram que não apoiavam um processo de impeachment a menos que os investigadores pudessem vincular as negociações comerciais de Hunter Biden — o filho do presidente que se envolveu em transações com empresas estrangeiras — a seu pai, ou descobrir evidências de crimes graves e contravenções.

Corrida eleitoral: Rivais republicanos de Trump têm tarefa ingrata de defender maior concorrente nas primárias para 2024

Após meses de análise, os republicanos não encontraram tal prova, embora argumentem que receberam informação suficiente para justificar mais investigação.

Em breves comentários no Capitólio, McCarthy acusou Biden de mentir sobre seu conhecimento dos negócios de seu filho e levantou questões sobre os milhões que Hunter e outros membros da família ganharam com empresas estrangeiras. McCarthy também acusou o governo Biden de dar "tratamento especial" a seu filho em uma investigação fiscal criminal contra ele.

— Os republicanos da Câmara descobriram alegações sérias e credíveis sobre a conduta do presidente Biden — disse McCarthy. — No seu conjunto, estas alegações pintam o quadro de uma cultura de corrupção.

Críticas do partido

Numa declaração publicada no X, anteriormente conhecido como Twitter, Ian Sams, porta-voz da Casa Branca, repreendeu McCarthy por se envolver no que chamou de "política extrema no seu pior".

"Os republicanos da Câmara têm investigado o presidente há nove meses e não encontraram nenhuma evidência de irregularidade", escreveu Sams. "Seus próprios membros do Partido Republicano disseram isso. Ele [McCarthy] prometeu realizar uma votação para abrir o impeachment, mas agora fracassou porque não tem apoio", continuou.

O anúncio de McCarthy também não acalmou os críticos de seu próprio partido, que o acusam de fazê-lo simplesmente porque teme estar à beira de perder o poder. O deputado Matt Gaetz, um republicano da Flórida e crítico frequente de McCarthy, disse que se ele estivesse "sério em responsabilizar a família criminosa Biden, não teríamos uma declaração apressada e agitada; teríamos uma estratégia de intimação que refletiria a seriedade."

Defesa de Biden

Os democratas têm preparado as defesas do presidente. O deputado Jamie Raskin, de Maryland, reuniu-se com membros de sua comissão na noite de domingo para planejar uma resposta aos republicanos. Na segunda-feira, divulgaram um memorando de 14 páginas detalhando o que chamaram de "fracasso esmagador" da investigação dos republicanos sobre Biden.

"Em vez de trabalhar em leis para promover o bem comum ou mesmo apenas manter o governo funcionando", disse Raskin, "os republicanos da Câmara estão transformando seus gabinetes em armas e explorando o poder e os recursos do Congresso para promover teorias de conspiração desmascaradas e bizarras sobre o presidente Biden".