Internacional
Em aniversário do golpe no Chile, EUA reafirmam apoio à democracia e direitos humanos
Documentos desclassificados décadas depois mostram evidências do papel desempenhado por Washington na deposição de Allende e na ruptura social subsequente no país
No 50º aniversário do golpe militar que culminou na queda do governo democraticamente eleito do presidente Salvador Allende no Chile, e na instauração da ditadura de Augusto Pinochet, os Estados Unidos emitiram uma declaração oficial prestando homenagem às vítimas da repressão que se seguiu no país latino-americano e reafirmando o compromisso "em apoiar a democracia e defender os direitos humanos".
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"Prestamos nossos mais profundos respeitos às vítimas da repressão que se seguiu e honramos a extraordinária bravura e sacrifícios de inúmeros chilenos que defenderam os direitos humanos e lutaram pelo fim da ditadura e pelo retorno pacífico à democracia", escreveu em comunicado o porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller.
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Além disso, Miller também destacou os esforços dos EUA para promover a transparência sobre o papel desempenhado pelo país durante esse período, mencionando a recente desclassificação de documentos de 1973, atendendo a uma solicitação do governo chileno.
Durante décadas, os Estados Unidos afirmaram que intervieram no país sul-americano não com a intenção de desestabilizar a Unidade Popular de Allende, e sim de apoiar os partidos de oposição — em suma, para "preservar" a democracia e suas instituições. Mas os documentos desclassificados décadas depois mostram evidências do papel desempenhado pelos Estados Unidos na deposição do presidente socialista no Chile e na ruptura social subsequente.
Nos anos da Guerra Fria, Washington tinha preocupações com a possibilidade de Allende, líder socialista, projetar uma imagem de sucesso para o mundo. Assim, com o apoio da CIA, sabotaram sua Presidência e tentaram enfraquecer seu governo, prejudicando a economia chilena e financiando grupos de oposição.
Os documentos também revelam que Henry Kissinger, então assessor de Segurança Nacional, desempenhou um papel crucial no apoio dos Estados Unidos ao regime de Pinochet, mesmo diante de preocupações sobre as sérias violações dos direitos humanos.
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