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Produção de petróleo deve chegar a 4,9 milhões de barris/dia em 2036, preveem MME e EPE
Estimativas apontam crescimento significativo até 2036
A produção nacional de petróleo deve alcançar 4,9 milhões de barris por dia em 2036, um incremento de aproximadamente 30% em relação ao volume estimado para 2025. A previsão é do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), conforme o Caderno de Produção de Petróleo e Gás Natural do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036).
Para o gás natural, o estudo projeta uma produção bruta de 308 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d), representando um crescimento de 72% comparado ao mesmo ano. A produção líquida, que corresponde ao volume disponível após os descontos de consumo próprio, reinjeção, perdas e queima, deverá atingir 135 milhões de m³/d, um aumento de 125%.
Segundo o estudo, espera-se que a produção de petróleo alcance cerca de 5 milhões de barris por dia em 2028, principalmente devido à entrada em operação de novas unidades de produção no pré-sal. "Após atingir esse patamar, a produção deverá se manter próxima ao pico, chegando a 4,9 milhões de barris por dia em 2036", afirma a EPE.
O pré-sal, de acordo com a EPE, continuará sendo a principal fonte de produção nacional, respondendo por 73% do total até o final do horizonte. Nesse contexto, a produção em águas profundas e ultraprofundas representará 94% do volume nacional em 2036. Em contrapartida, a produção em áreas terrestres (onshore) deverá alcançar 153 mil barris por dia, correspondente a 3% do total nacional.
A produção bruta de gás natural será majoritariamente impulsionada pelas bacias de Santos, Campos, Sergipe-Alagoas e Parnaíba. O pré-sal continuará predominante, com uma participação de 76% da produção bruta ao final do período.
"A produção líquida deverá atingir 135 milhões de m³/d em 2036, com o pré-sal respondendo por cerca de 55% do total. Além disso, a produção terrestre deve alcançar 26 milhões de m³/d, equivalente a 20% da oferta nacional", destaca a EPE.
O caderno também apresenta análises de sensibilidade sobre iniciativas que podem expandir a produção e o aproveitamento dos recursos nacionais. "No gás natural, destaca-se a implantação de um Gas HUB no campo de Mero, na Bacia de Santos, que permitirá processar e disponibilizar gás proveniente de unidades sem capacidade própria de separação de dióxido de carbono (CO2), com potencial de exportação de 15 milhões de m³/d", enfatiza o estudo.
Outra oportunidade mencionada relaciona-se ao aumento do fator de recuperação dos campos. Um incremento de 1 ponto porcentual neste indicador poderia adicionar cerca de 207 milhões de barris de óleo equivalente (boe) nas bacias terrestres e aproximadamente 2,3 bilhões de boe nas áreas marítimas, conforme apontado pelo estudo.
Na Bacia de Campos, iniciativas como a revitalização de campos maduros, os tiebacks, o aproveitamento da infraestrutura existente, a eletrificação de plataformas e a captura e armazenamento de carbono (CCS) poderão ajudar a prolongar a vida produtiva dos ativos, aumentar a competitividade e reduzir emissões.
Além disso, a EPE observa que as reservas provadas de petróleo poderão alcançar cerca de 23 bilhões de barris em 2036, com relação entre reservas e produção (R/P) de aproximadamente 13 anos. Para o gás natural, as reservas provadas poderão atingir cerca de 1 trilhão de m³, com relação R/P de aproximadamente 8 anos. "A evolução desses indicadores reforça a necessidade de investimentos exploratórios contínuos, novas descobertas e a conversão de recursos potenciais em reservas", ressalta.
Para sustentar a trajetória projetada, os investimentos nas atividades de exploração e produção (E&P) no Brasil devem atingir até R$ 2,4 trilhões entre 2027 e 2036. Uma parte significativa desse montante será destinada à entrada em operação de 29 novas unidades estacionárias de produção (UEPs) ao longo do decênio, do tipo FPSO (Floating Production Storage and Offloading), consideradas essenciais para viabilizar as projeções de produção de petróleo e gás natural.
Outro aspecto relevante, segundo a EPE, é o descomissionamento de instalações offshore, que deve mobilizar investimentos e serviços especializados, criando oportunidades para a indústria nacional por meio de inovação tecnológica, geração de empregos e qualificação de fornecedores.
"A implementação da curva de produção projetada depende, portanto, da continuidade das campanhas exploratórias, da realização de novas descobertas, da contratação de novas áreas, da conversão de recursos em reservas, da entrada das unidades de produção previstas e da manutenção dos investimentos em E&P", conclui o estudo.
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