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Líderes reagem à derrota de Trump nas eleições de meio de mandato; premiê espanhol cita Brasil

Eleições nos EUA mobilizam reações internacionais e geram expectativas em diversos países.

Redação O Estado de S. Paulo* 04/11/2026
Líderes reagem à derrota de Trump nas eleições de meio de mandato; premiê espanhol cita Brasil
O presidente Donald Trump - Foto: © AP Photo / Julia Demaree Nikhinson

De China, Irã e Rússia a políticos europeus, líderes de diversos países reagiram às eleições de meio mandato nos Estados Unidos, realizadas nesta quarta-feira, 4. O Partido Democrata retomou o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, resultando em uma derrota significativa para o presidente Donald Trump.

O Brasil foi mencionado na mensagem do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que comentou a que chamou de derrota da "onda ultra", em referência às derrotas da ultradireita.

Espanha

Após o triunfo democrata que retirou dos republicanos de Donald Trump o controle do Congresso, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou que a "onda ultra" já "não cresce, mas desmorona".

"Ontem, a sociedade americana votou contra políticas que só empobrecem. Contra o ódio, contra o machismo, contra o negacionismo climático e contra os privilégios das elites", escreveu o líder espanhol em sua conta no X.

"Aconteceu no Brasil, acaba de acontecer nos EUA e ocorrerá em breve na Espanha. A onda ultra que a direita e a extrema direita na Espanha tentam surfar já não cresce: desmorona", acrescentou Sánchez.

O socialista disputará as eleições gerais antecipadas em 29 de novembro. As pesquisas apontam uma vitória da direita, ainda que sem maioria absoluta, o que exigiria o apoio da ultradireita para formar governo.

Após o Parlamento ter derrubado um pacote de medidas contra a crise de acesso à moradia, Sánchez antecipou as eleições legislativas na esperança de capitalizar a indignação da população.

A campanha foi abalada pela tragédia ferroviária de Urda, no centro do país, na qual pelo menos 69 pessoas perderam a vida, o segundo grave acidente com trens de alta velocidade em menos de um ano na Espanha.

China

A China declarou que está "disposta a continuar trabalhando" com os Estados Unidos, após as eleições de meio mandato, sublinhando que essa é uma questão interna do país.

"A China está disposta a colaborar com os EUA para manter e implementar o importante consenso alcançado pelos dois chefes de Estado, fortalecer a comunicação, gerenciar adequadamente as divergências, ampliar a cooperação e construir uma relação sino-americana construtiva e estrategicamente estável, baseada nos princípios de respeito, justiça e reciprocidade", afirmou Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, em coletiva de imprensa regular.

Irã

Os iranianos adotaram um tom desafiador ao celebrar a rejeição ao presidente Donald Trump pelos eleitores estadunidenses, enquanto muitos no Oriente Médio aguardam os possíveis impactos dos resultados nas dinâmicas regionais.

Preocupações com a guerra, junto à frustração com a alta dos preços, ajudaram os democratas a conquistar o controle das duas casas do Congresso, representando um duro revés para Trump e seu Partido Republicano.

O líder supremo do Irã afirmou que aqueles que acreditam que mudanças partidárias nos Estados Unidos podem alterar a hostilidade do país em relação à República Islâmica estão "gravemente enganados".

Em uma carta compartilhada em suas redes sociais, o aiatolá Mojtaba Khamenei declarou: "Se ainda existem aqueles que nutrem, ainda que minimamente, a esperança de uma mudança de comportamento ou de alterações partidárias e faccionais dentro do sistema de dominação, ou que imaginam ser possível dissuadir a hostilidade dos EUA contra a nação iraniana por meio de concessões, estão gravemente enganados".

A região se encontra em tensão, com crescentes temores de que os EUA retomem operações militares contra o Irã, algo que não ocorre há quase dois meses. Negociações para evitar novos confrontos continuam, enquanto aliados dos EUA instam o país a não reiniciar um conflito que perdura há mais de oito anos, abalando a economia global e devastando o Irã.

Relatos indicam que o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, tem pressionado por ataques adicionais, enquanto Trump oscila entre ameaças de ofensivas em larga escala e a busca por um acordo.

O chefe negociador do Irã e presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, publicou nesta quarta-feira no X: "Os americanos disseram NÃO À GUERRA, e nós endossamos essa mensagem".

"Se o governo dos EUA trair a vontade de seu próprio povo para servir a financiadores e chantagistas internacionais, descobrirá que nosso NÃO vem acompanhado de um pesadelo".

Apesar de acordos de cessar-fogo e repetidos esforços diplomáticos, os confrontos militares continuam no sul do Irã e nas imediações do Estreito de Ormuz.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã alertou os americanos a não ignorarem a mensagem: "Se os EUA continuarem a ignorar a realidade, as consequências desse grave erro de cálculo serão grandes".

União Europeia

A principal diplomata da UE, Kaja Kallas, espera que o novo Congresso dos EUA apoie a Ucrânia e intensifique a pressão sobre a Rússia, após os democratas superarem os republicanos de Trump nas eleições de meio mandato.

"Espero que o novo Congresso... continue apoiando a Ucrânia e exerça maior pressão sobre a Rússia", afirmou Kallas, ressaltando que Europa e Estados Unidos são "muito mais fortes juntos" ao pressionar Moscou a encerrar a guerra.

Rússia

A Rússia expressou expectativa de que Donald Trump continue seus "esforços de pacificação" após as eleições de meio mandato, conforme informou o Kremlin.

"O presidente Trump continua a exercer seus poderes. Esperamos sinceramente que ele também continue com seus esforços de pacificação", declarou Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, ao jornalista russo Alexander Yunashev, em um vídeo publicado.

Reino Unido

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou que a expressiva vitória dos democratas nas eleições de meio mandato nos EUA representa uma oportunidade para que o mundo se "una" em torno da resolução dos problemas do custo de vida.

"O presidente Trump aceitou os resultados, e penso que o mundo agora tem a oportunidade de se unir em torno da questão que nos afeta a todos, que é o custo de vida", disse Burnham a jornalistas.

Ele acrescentou que não será possível reduzir os preços até que a guerra dos Estados Unidos no Irã seja "resolvida".

França

A vitória democrata nas eleições de meio mandato nos EUA e a aceitação da derrota pelos republicanos de Trump é uma "notícia muito boa para a democracia americana", afirmou o chanceler francês, Jean-Noël Barrot, nesta quarta-feira.

"Os resultados não são contestáveis nem estão sendo contestados. O próprio presidente dos Estados Unidos reconheceu o desempenho excepcional dos candidatos democratas. Portanto, é uma notícia muito boa para a democracia americana", declarou Barrot.

"E uma demonstração de que, em uma democracia, é o povo quem escreve a própria história e que ninguém, nem os algoritmos, nem interesses privados, pode fazê-lo por eles", acrescentou o chefe da diplomacia francesa durante uma sessão de controle do governo no Parlamento.

*Com informações de agências internacionais.